quinta-feira, 15 de abril de 2010

Agenda Capricho 2007 (não me tirem. eu era uma criança! hahaha. por sorte as pessoas crescem) - 15/04: "A vida necessita de pausas" - Carlos Drummond de Andrade


A vida realmente deve necessitar de pausas. Mas eu, atualmente, me sinto parada demais com essa greve que não acaba! Não que eu não esteja produzindo nada nem rendendo nada, até que estou. Só que já deu pra sentir saudade da UnB a essas alturas. Pois bem, sem matérias extraordinárias hoje, apenas comentários, observações e um diálogo simplório, sem maiores compromissos. Primeira, vamos à foto. Ela foi tirada ontem, umas 21 horas e 30 minutos, horário de Brasília. haha. Nada como uma bela noite de outono na capital federal. O clima estava agradável (só de manhã cedo que faz aquele frio que nos remete ao Sul), as pessoas alegremente espalhadas aqui e ali, tudo parecia tão simples (sim, igual ao dia em que Getúlio morreu!). Como decidi voltar a andar agarrada na minha câmera tive a oportunidade de registrar esse sereno instante ontem. O aniversário de Brasília se aproxima, tudo são arquibancadas, festa e preparativas na Esplanada. Evitei registrar isso na foto. Acho que preciso de um tripé. Mas não vem ao caso. Talvez vocês estejam se perguntando o que eu fazia lá num horário tão aleatório, não? Sim, eu fui para a apresentação do documentário "Uma mudança no mar", o qual trata da acidificação dos oceanos. Ele foi apresentado no FICA (Festival Internacional de Cinema Ambiental - que foi em Planaltina e sua realização teve o apoio do Museu, vejam que coincidência!). Depois do filme, ainda rolou um debate com complementações com o produtor, Daniel de La Calle, ele é um espanhol super pitel que ficou responsável pelo trabalho artístico do longa-metragem. É brilhante a proposta deles, eles tentaram não tocar em pontos sobre os quais já existem documentários (como o aquecimento global) e abordaram algo que nos parece, de primeira, absurda: um mundo sem peixes! Pena que, à medida que o filme vai acontecendo, o professor aposentado e avô super preocupado com o futuro do netinho Elias, Sven Huseby, nos mostra o contrário. Ao viajar para os belíssimos lugares onde ele viveu com seus pais e também onde seus avós moraram, todos à beira mar, ele procura pesquisadores e estudiosos que realizam trabalhos avançados sobre as condições atuais dos oceanos. Ele conversa com muitos especialistas e descobre, desapontado, que a situação da vida marinha corre riscos maiores a cada minuto que passa. Paralelamente ao seu quadro de desbravador, ele também exerce a posição de avô, escrevendo cartas para Elias (que por sinal é um garotinho muito inteligente de apenas 5 anos e que adora os oceanos) para conscientizá-lo sobre a questão e na esperança de que sua geração possa fazer alguma diferença. Em determinado momento, uma das entrevistadas cita a consideração de Einstein relativa ao fato de que o criador de um problema não será a mesma pessoa que conseguirá solucioná-lo. O peso dos erros de nossos pais fica, portanto, para nós. Tentemos resolvê-los. Até porque, não há outra saída. Foi com esse intuito que a equipe achou cabível sair pelo mundo apresentando o seu projeto e disseminando para o meio acadêmico o desesperador caminho que estamos dando aos peixes. O Daniel disse, inclusive, que o propósito de visitar o Brasil foi porque o país está crescendo, será a quinta maior economia mundial em pouco tempo, logo, será também o quinto maior emissor de CO2. E isso é bastante ruim para a nossa costa! Farei estudos mais avançados sobre o tema e depois repasso para vocês. Por enquanto, maiores interessados podem entrar no site www.aseachange.net.

See you, guys! kiss :*

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mais mágico que o Mágico de Oz!

No desenho do Mágico de Oz que eu assistia quando criança, assim como no original, o grande mágico oferece à Dorothy um balão de ar quente para que ela possa voltar para casa. Ela, infelizmente, perde a carona, por causa de uma imprevista fuga do Totó. Então ficamos todos, nós, espectadores, e ela, a personagem, apenas na vontade de subir naquele balão e voar, voar, simplesmente voar e ver o mundo de uma nova perspectiva. Até hoje ainda não subi em um balão de ar quente. Já vi um bem de pertinho, na ocasião em que o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) fazia uma exposição e levou ao público um deles. Era enorme, bem colorido e provocava imensas filas, tudo para experimentar a sensação de subir um pouquinho no objeto de histórias encantadas. Claro que ele não saia para dar voltas por Brasília. Não! Seria muita pretensão. Havia uma corda, acredito que de uns quatro ou cinco metros de altura, que segurava o meio de transporte e também os seus passageiros. Eu não me aventurei por um simples erro de desinformação misturado com falta de organização: fui até lá no último dia da instalação do balão e quase na hora do encerramento da atividade.
Permanece, contudo, o desejo de voar em um deles, para o sul, no inverno, assim como os pássaros (ó! Que poética. Haha). Segundo nossa grande parceira de dúvidas e pesquisas, Wikipédia, balões são invenções cujo princípio se baseia em transportar pessoas e utensílios a partir de uma lona que protege uma determinada quantidade de ar (através de uma chama controlada) ou outra substância ainda mais leve que o ar. Lembro, ainda, que uma cesta acompanha a lona, com a intenção de acomodar as devidas cargas. O balão de ar quente flutua por meio da técnica de aquecimento do ar em temperatura ambiente. Eles são, atualmente, os tipos mais comuns de balões.


Os balões de ar quente não exigem muita tecnologia. Afinal, eles foram as primeiras máquinas de voar que o homem produziu e, para tanto, foi preciso, essencialmente, muito empenho em princípios científicos básicos. Primeiro, retomando as lições de física e de química, consideremos que o ar mais quente sobe mais que o ar frio. Logo, o ar quente é mais leve que o ar frio. Mas isso é algo simplesmente lógico. Agora lembremos que densidade é massa sobre volume (e eu não sei como lembrei disso!) e que, portanto, o ar quente tem menos massa por volume do que o ar frio. É justamente por isso que os balões de ar quente são tão grandes. Para suspender pessoas e objetos ele necessita de muuuito ar quente por metro cúbico (já que cada pé cúbico de ar contido no balão de ar quente pode segurar, em média, sete gramas – o que é bem pouquinho).
Mas essa parte é um tanto quanto complexa para a minha cabeça. Por isso nem procurarei me aprofundar. Vamos aos componentes do balão. Ele possui três partes básicas. A primeira é o queimador, porque, obviamente, faz-se necessário o reaquecimento do ar (que, como o nome indica, tem de ser quente). Portanto, quando o ar no balão esfriar, o piloto vai lá e aciona o queimador. A lona grandona, por sua vez, chama-se envelope. Ela está ali para segurar o ar. Finalmente, temos o cesto de vime, o qual carrega os passageiros e demais itens que se quiser levar na viagem.
O propano é o gás, atualmente, usado na queima pelos balões de ar. Ele é armazenado em forma líquida comprimida nos cilindros leves posicionados na cesta do balão. Uma curiosidade interessante sobre esses balões é que o material utilizado para fabricar os envelopes, normalmente, é o náilon. Os tecidos de náilon foram escolhidos por serem bastante resistentes e leves, além de terem uma alta temperatura de derretimento.
Para fazer o balão cair, basta dar vazão ao ar. Mas manter o balão no ar e fazê-lo descer são os únicos controles estáveis que o piloto pode fazer. Fora isso, depende-se do vento e de suas diferentes direções e altitudes para descobrir-se qual caminho o balão vai tomar. Por isso, quem se aventura a andar de balão não pode esperar velocidade e precisão. O bom mesmo deve ser curtir a expectativa de não se saber como vai ser. É puro improviso!
Ah! E um balão consegue voar a mais de oito mil metros de altitude. Só que, geralmente, sua altura varia entre centímetros do chão até dois mil metros. Pilotá-los exige, a cima de qualquer coisa, paciência, já que eles não são aeronaves dirigíveis. Mas é um jeito lúdico e livre de chegar aos céus.
Pode ter parecido, todavia, que foi fácil dar vida a um invento tão brilhante. Não, não caiam nessa besteira! A vontade de voar, como se sabe, é antiga. Os primeiros indícios de equipamentos que permitissem isso ao homem também o são. Existem documentos da dinastia Yin, lá da mais arcaica China, que indicam a existência de balões, movidos possivelmente a fumaça, que levavam pessoas e eram, supostamente, usados em guerras.
As primeiras civilizações da América do Sul, como sempre, não ficam para trás. Os índios Nazca também fizeram as suas tentativas de voar por meio de balões, de acordo com o que se observa nos famosos desenhos dos planaltos de Nazca e também em um trabalho de barro deixado por eles onde há a representação de um balão.
Todavia, foi aqui no Brasil que se fez a primeira confirmação de uma experiência com balão de ar quente. Bartolomeu de Gusmão, o jesuíta, também conhecido como “padre voador”, foi o pioneiro. (Nós e os nossos padres voadores, não é?). O coitado iniciou suas pesquisas em 1708. Pena que elas não foram bem sucedidas! Ele demonstrou seu trabalho à família real portuguesa e o desfecho foi trágico: o seu balão, provavelmente feito de papel unido a algum material inflamável na parte inferior, só subiu mais ou menos um metro do nível do solo e, para completar, ainda incendiou. Dom João V, que esperava um invento capaz de servir para viagens, transporte, correção de mapas, apoio em guerras e mais outras tantas utilidades, decepcionou-se. Já o padre acabou desmoralizado.
Setenta ou oitenta anos depois, na França, os irmãos Jacques e Joseph Montgolfier fizeram um balão de ar quente realmente eficaz no transporte de pessoas. Desde então a tecnologia deslanchou e fez fama pelo mundo. O balonismo espalhou-se por livros, filmes e pelo imaginário de gente sonhadora. Em 1970 foi montada a primeira fábrica dessas aeronaves, três anos mais tarde realizou-se o Primeiro Campeonato Mundial de Balonismo. Com isso, o crescimento da técnica foi gigantesco.
No Brasil mesmo a quantidade de eventos para quem pilota balões é grande. Há campeonatos de norte a sul, nas capitais (como em São Paulo, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro) e também nas cidades menores (descobri que existe até um bastante tradicional em Torres – RS). Inclusive, a Associação Brasileira de Balonismo costuma escolher cidades interioranas dos estados de São Paulo e de Minas Gerais para sedear o Campeonato Brasileiro. Enfim, voar no estilo Mágico de Oz não é tão raro assim, né? Só é caro. Os passeios de balão disponibilizados por agências de viagem e turismo não cabem no meu bolso de estudante universitária.
Pelo menos já sabemos um pouquinho mais sobre como funciona a arte de voar em balões e ficamos com o gostinho (mais uma vez!) através das imagens. Invejem! =) E até a próxima postagem.







Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bal%C3%A3o
http://360graus.terra.com.br/balonismo
http://ciencia.hsw.uol.com.br/baloes-de-ar-quente.htm
http://www.balonismo.org.br/
http://www.balonismobrasil.com.br

domingo, 11 de abril de 2010

Apenas vá. E ninguém precisa saber (nem sentir)

"Você fica. Ocê vai. Cê não volta nunca mais."







A frase foi citada por um professor de português no terceiro ano. Achava que era do Saramago, mas não consegui encontrar referências na internet (confesso, também não me empenhei tanto assim na procura). O importante é que ela se encaixa ao texto desinteressado que eu fiz, misturando histórias clichês do cotidiano, com alguns fatos reais da minha vida e também da vida alheia. É para mostrar um pouquinho do romantismo quase inexistente nos últimos postes e nos últimos meses. Mas não nas últimas atitudes! Aproveito para dar parabéns ao senhor excelentíssimo Altair Meirelles, mesmo sabendo que ele nunca vai ler isso. hahaha. O aniversário dele foi ontem, dia 11, o texto também foi escrito ontem, por falar nisso (no domingo, como ele mesmo se entrega no decorrer das linhas). Tatázinho, ainda que com muito rancor no coração, Je te kiffe. Pelo menos por hoje e neste momento. Aos demais, uma boa noite e divirtam-se.


beijinhos e queijinhos =)




Vá! Mas deixe que eu caminhe em paz na sexta-feira à noite, rua à fora, mundo à dentro, só para fingir que não estou sozinha. Tome distância. Mas permita que eu me aproxime da nossa velha esquina e que eu olhe para o banco da praça como se fosse um velho conhecido. Releve a minha indiscreta audácia de passar pelo bar com os olhos a te procurar e o coração firme, seguro nas duas mãos. Também não se importe se eu entrar em casa já sentindo o vazio dos restos da tua presença. Não se assuste se eu me deparar com o espelho e enxergar no fundo de meus próprios olhos a escuridão das palavras finais. Siga em frente. Permita que as mãos se espalmem, que os pés se virem, que os corações se partam e que as vivências morram, tudo em vão. Faça com que a nossa foto, com que os nossos sonhos e todos os planos se debulhem no vale de lágrimas que você deixou. Depressa! Carregue na mala a calça rasgada, a carta não lida, o esquecimento. Finja que aquela música já não serve mais, que o sorriso não é mais o mesmo e que o amor, enfim, desfaleceu. Quando der, sinta o frio batendo à porta e lembre, bem casualmente, de buscar o cobertor. Então venha. Volte para falar do tempo, para descontrair. Mostre uma ponta de interesse contra outras dez de muita indiferença. Fique. Para lembrar da noite, para comentar do dia, para me fazer sorrir. Depois, prolongue-se. Demonstre a sua empolgação, simule estar me escutando. Cale. Levante. Caminhe. Me abrace. Está frio. Atente-se para a chance de mudar a história. O pijama, o livro, a garrafa, o filme. Vá. Vá, mas deixe a porta aberta para que eu respire, deixe seus passos marcados para que os siga, deixe que eu apague a luz quando quiser ir embora. Deixe também um gesto amigo, mesmo que distante. Vá pelo elevador, eu desço pela escada. Deixe que eu caminhe em paz também no domingo, noite à fora, mundo à dentro.


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Doentes de amor - literalmente!




Eu devia ter uns sete ou oito anos, estava sentada no chão da sala com as pernas cruzadas analisando a capa de um CD, o mesmo que eu e minha mãe escutávamos naquele momento. Todas as letras abordavam, inevitavelmente, ainda que com variações de acordo com o estado de espírito do compositor ou do protagonista da história, um elemento essencial: o amor. Minha curiosidade, típica da faixa etária, provocou o questionamento que poderia ter sido embaraçoso, se não tivesse sido respondido com tanta espontaneidade.
- Mãe, por que todas as letras de música falam sobre o amor?
- Porque o amor é um sentimento presente em todos os momentos da vida das pessoas.
Eu ouvi a explicação, atenta. Mas isso não me fez acreditar no amor. Principalmente no amor entre duas criaturas que se dispõe a formar um casal. Ainda diante de sua sabedoria, minha mãe me disse, anos mais tarde, que as pessoas não procuram alguém que as complete. Elas procuram um companheiro. Interpretei isso como a tão famosa fórmula que mistura o amigo e o amante. Não sei se ela acredita nesse tipo de amor. Sei, porém, que eu não fui muito estimulada a crer nele desde a infância, diante do trágico (e digno de um belo romance com tudo para virar best-seller) casamento de meus avós maternos. Em contrapartida, os avós paternos parecem, até hoje, saídos diretamente de um comercial de margarina (ou algo perto disso).
Todavia, tenho um grande amigo que acredita no amor. Mais do que isso, ele acredita no romance. Sempre cética e crítica quando se trata de sentimentos, venho tentando convencê-lo de que “estar amando” não passa de um conjunto de reações químicas que causam distúrbios hormonais e provocam em nós uma espécie de obsessão. Sim! O pobre ser apaixonado torna-se comparável a um louco. E não é maneira de dizer. É o que ocorre, de fato, quando se faz uma análise científica do amor.
A curiosidade sobre o assunto me fez buscar a ajuda de especialistas sobre o amor em universidades do mundo inteiro (pela Internet, é claro. haha). Afinal, meu primeiro namorado me disse, certa vez, algo que me chamou bastante a atenção, ele afirmou que se sentia doente de amor e que a comparação daquela confusão de sensações com uma doença era perfeitamente cabível. Certo estava ele, pois alguns estudiosos acreditam que o amor resume-se a um distúrbio obsessivo-compulsivo.
Não é para menos. A Dra. Donatella Marazziti vem para comprovar a gravidade do caso, a psiquiatra da Universidade de Pisa aponta para indícios de que a psicose obsessiva-compulsiva e a paixão dividem vários aspectos em comum. Um exemplo disso é que ambas associam-se a baixos níveis cerebrais de serotonina, substância química fabricada pelo corpo que nos ajuda a lidar com situações de estresse.
Acalmem-se! Essa loucura toda, porém, não passa da fase do flerte, que é quando substâncias como a dopamina, a feniletinamina e a ocitocina, todas comuns no corpo humano separadamente, se encontram e causam a conhecida (mas inexplicável) série de explosões. A dopamina, como bem sabemos, produz a sensação de felicidade. Outros vários hormônios vêm para complementar esse momento que leva o organismo (principalmente o coração!) hora ao céu e hora ao inferno: como a adrenalina (responsável pela aceleração do coração e pela excitação), a noradrenalina (que cuida do lado sexual da relação) e as endorfinas.
Viciante do jeito que é, é natural que todas as melodias tratam do amor, não? Por sorte, apesar de não ser assim rápido como um resfriado, a doença tem prazo para acabar. Não estou tratando, nesse caso, necessariamente do amor, mas sim da paixão. É fato já bastante batido que ela tem prazo de validade: cerca de dois anos ou de 18 a 30 meses.
Pois é, já dizia o sábio Luís Fernando Veríssimo, “o amor tem mil inimigos, mas o pior deles é o tempo. O tempo ataca em silêncio. O tempo usa armas químicas”. Mais uma vez, não é uma poética comparação, mas, sim, um apontamento científico. Pois, com o tempo, o corpo se habitua a disfunção hormonal e passa a precisar de maiores doses dos hormônios em questão para se sentir como no comecinho do relacionamento.
Nesse momento, a ocitocina entra em ação para desempenhar o mesmo papel que ela provoca em uma relação entre mãe e filho: o estreitamente dos laços. Ela acaba por anular o efeito de outros hormônios e causa o (também mais do que conhecido) esfriamento da paixão. Então, toda aquela obsessão diminui e, se os indivíduos permitirem, a atração evolui para uma relação estável, calma e segura (isso só com a ajuda da ocitocina e da vasopressina, como não poderia deixar de ser). Chegando, finalmente, ao que minha mãe chamou de “procurar um companheiro”, no caso, seria encontrar o tal companheiro.
A procura pelo parceiro ideal, por sinal, é mais uma de nossas idealizações. Acreditamos piamente que somos nós que escolhemos o ser amado em mais de seis bilhões de pessoas. Outra vez, pura ilusão. Como bons animais que somos (ou não. Hahuauha), uma vez inseridos em determinado ambiente e expostos a convivência durante algum tempo, está pronta a fórmula: vamos, certamente, nos interessar por alguém. Não é dessa maneira que tudo acontece em ambientes como trabalho, escola, grupos de amigos e outros semelhantes?
Quem tiver maiores interesses sobre o assunto pode procurar os trabalhos da Dra. Helen Fisher, antropologista da Universidade Rutgers (ela escreveu o livro The Anatomy of Love, do qual eu não consegui achar nenhuma tradução para o português). Fora todas as minhas (des)considerações referentes ao tão nobre e adorado amor, acho justo concluir com elogios. Porque, no fim das contas, a injeção de hormônios nos faz sentir de bem com a vida. Quanto à loucura, já dizia a bem elaborada filosofia do avô da minha prima: “metade da população é louca e a outra metade é tarada!” (escolha de que lado você está =P).
Fazendo alusão a um dos tantos textos que li para escrever a matéria, posso resumir o amor em três aspectos básicos: euforia, paixão e, obviamente, vício. Agora chega de críticas, pois até mesmo Nietzsche, diante de todo o seu ceticismo e pessimismo, admitiu que “existe muita loucura no amor, mas também existe muita razão na loucura”. Então, apaixonem-se! Caso não faça bem para o corpo, ao menos para a alma é garantido =)



Bibliografia:
http://www.quimicalizando.com
http://www.brasilescola.com
http://boasaude.uol.com.br
http://www.be2.com.br

E outros que perdi no meio do caminho :X

quarta-feira, 7 de abril de 2010


Finalmente um dia de sol em Brasília. Mais que isso! É um daqueles belíssimos dias de sol que inflam o corpo, dos pés à cabeça, de uma quase incomoda, porém, satisfatória sensação de nostalgia. Ora, vejam só, a tarde ensolarada de hoje trouxe à tona o vazio querendo ser preenchido das antigas tardes de outrora no gramado verde e extenso do Sigma, dos brigadeiros gelados no sofá preto e confortável da casa do Lucas, do banco de ônibus compartilhado com a Luana seguido de cliques aleatórios na câmera digital, das fugas indiscretas do cursinho em dias iguais a esse, em que estudar parecia ser para os cegos ou para os loucos (o verde das árvores da Asa Sul indo de encontro com o bem falado céu da capital era muito mais irresistível). Não sou a pessoa mais indicada para elogiar Brasília, até porque é algo que eu pouco faço. Mas na próxima vez em que meu amigo Saco me perguntar o que há de bom por aqui, excluindo, é claro, as tão exaltadas obras arquitetônicas, acredito que vou responder: um dia de sol com o céu azul bebê e algumas poucas nuvens dispersas aqui e ali. E ele vai retrucar mais uma vez, "mas aqui eu tenho o mar, eu tenho o Corcovado!". Enquanto eu vou me calar e apenas aguardar mais um dia desses, pois não há como explicar, há apenas como sentir. Deve ser a magia do mês de abril, com seu ar outonal e sua lua capaz de fazer qualquer ser já loucamente apaixonado se apaixonar mais ainda. Sim, a lua de abril é a mesma em todos os lugares. Mas este ar que precede o inverno brasiliense e nos faz querer aproveitar não só o dia, mas a vida, esse sim é raro. Aaah, que saudade de correr por entre as enormes palmeiras postas atrás do Congresso Nacional e depois me atirar no gramado na companhia da Moema e do Alexandre! Deixando de lado todo e qualquer passado, um dia que seria facilmente enquadrado por Renoir em sua teoria de que já há muitas coisas ruins no mundo, por isso o trabalho do artista é pintar o belo, me espera bem ali, da porta para fora.

terça-feira, 6 de abril de 2010

50 anos de Brasília em: as 50 provas do caos!

Em abril de 2009, há exatamente um ano, os brasilienses estavam em polvorosa com os preparativos para o aniversário de meio século da capital. Contadores eletrônicos espalhados pelos principais pontos da cidade calculavam regressivamente os dias como uma ampulheta que deixa o tempo transcorrer lentamente por um minúsculo buraco. Mas hoje, passado um ano, a conclusão é de que o tempo não se esvaiu assim tão devagar. Esperava-se uma Brasília de cara nova, a proposta do Governo do Distrito Federal de engajar-se em cinqüenta obras para comemorar os 50 anos da cidade criou a expectativa de que a capital federal estaria mocinha para fazer anos em 2010.

Só que não foi dessa forma que tudo caminhou. Infelizes trapalhadas do destino, do clima e, claro, dos governantes, resultaram em um quadro completamente diferente do desejado faltando apenas duas semanas para a tão aguardada festa. Tudo se agravou de maneira irremediável ontem, quando a Controladoria Geral da União (CGU) apontou publicamente indícios de grandes desvios de dinheiro pelo GDF (acredita-se que foram desviados cerca de 100 milhões de reais). Além de irregularidades no setor responsável pelas obras, foram descobertas irregularidades também na área da saúde e da educação. Resultado: a verba para as reformas foi cortada (justo agora!).

Contudo, excetuando-se os contratempos e as sem-vergonhices, a proposta inicial era merecedora de admiração e tinha potencial para ser bem sucedida. O arquiteto Jaime Lerner e sua equipe levaram ao Palácio do Buriti, ainda em 2007, os Projetos Urbanos Estratégicos: Brasília 50 anos, devidamente aprovados pelo então governador José Roberto Arruda e em seguida postos em prática. Baseada na idéia de criação de um Interbairros em Brasília, concepção anteriormente instaurada em Curitiba e com resultados positivos, a estratégia de Lerner era criar ligações entre os centros urbanos da região (o plano piloto, Taguatinga, Ceilândia, Guará, Candangolândia, etc.). Dessa forma, haveria espécies de anéis urbanos, os quais conversariam entre si, atingindo um equilíbrio e causando na população a sensação de unificação da cidade. Em outras palavras, Brasília e todo o seu entorno seriam uma só cidade.

Do enorme leque de cinqüenta obras, pode-se listar algumas que ganharam maior visibilidade, como as reformas na Torre de TV, no Planetário, no trecho de ligação da L4 e da W4 Sul, na Catedral ou a construção da Fonte Luminosa, da Torre de TV Digital no Colorado, do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), da Calçada Athos Bulcão no Bosque das Constituintes e também a pintura da fachada do Congresso Nacional. No final do mês de janeiro, Jaime Alarcão, Secretário de obras do Distrito Federal, afirmou em entrevista para o jornal Correio Braziliense que as obras para a comemoração do aniversário da cidade já andavam para o processo de encerramento, estando de 60 a 80% prontas e que no dia 21 de abril elas seriam inauguradas em sua totalidade e com sucesso. Em março, porém, ele mostrava sua frustração ao declarar que a Catedral não estaria pronta, mas que os brasilienses podiam comemorar a entrega de cinqüenta obras em andamento pela cidade.

Nem mesmo as programações culturais conseguiram escapar da onda de azar do GDF. Grandes nomes da música internacional, como Madonna e Paul McCartney, viriam prestigiar a festa da capital e fazer apresentações na Esplanada dos Ministérios. Mas após serem informados dos escândalos de corrupção abriram mão do trabalho, a fim de evitar envolvimento com um governo corrupto. Restou ao público contentar-se com os tradicionais shows de bandas nacionais. Vão marcar presença no palco principal os grupos NX Zero e Paralamas do Sucesso, assim como os artistas Luan Santana e Daniela Mercury e a dupla de cantores sertanejos Bruno e Marrone.

Como disse o Secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, na reunião no Museu da República para a divulgação da programação oficial do cinqüentenário da capital, “quis o destino que a festa dos 50 anos desta cidade, símbolo de vitória, da interiorização da economia, da magnitude de receber brasileiros dos quatro cantos, fosse num momento difícil para a cidade”. Nós, moradores da tão difamada capital do país, esperamos, sinceramente, que nenhuma outra desgraça recaia sobre as tão aguardadas festividades. Por falar nisso, será que até dia 21 de abril as chuvas catastróficas que estão fazendo o planalto central virar um mar já vão ter parado?

sábado, 3 de abril de 2010

a terra dos Pequenos MC`s


Tem chovido todos os dias. As vezes estamos protegidos dentro de casa, outras vezes temos sorte e estamos no ônibus, no carro ou em lugares sob os quais possamos nos proteger. Porém, há também as situações em que a chuva nos pega de surpresa (ainda mais em Brasília!), vem de leve, mas rapidamente e, sem maiores constrangimentos, desaba em nossas cabeças (igualzinho a uma descrição da novela mexicana =P). Uma das sensações mais desagradáveis, ao menos ao meu ver, que se tem debaixo de chuva é sentir a água entrando no sapato. Molhada, gelada, fingindo-se de desintencionada, fazendo aquele barulhinho chato e também fazendo a meia fria grudar no pé. Voltar ao Varjão depois de seis ou cinco anos me causou um sentimento bem próximo disso. O Varjão é uma das tantas regiões administrativas aqui do DF, calcula-se que sua população gira em torno de nove mil habitantes atualmente. Ele fica ao ladinho do Lago Norte. Contudo, seus moradores não tem a mesma sorte dos vizinhos, eles não podem morar em grandes mansões com piscina no quintal, chuveiro com água quentinha, banheiro limpinho e uma mesa farta com direito a reclamação por parte das crianças que alegam não ter nada para comer na casa enquanto o armário está farto de alimentos que muitos cidadãozinhos da antiga favela logo ao lado jamais vão ter a oportunidade de experimentar em toda a sua vida. Até porque, pasmem, a média de renda de quem mora no Varjão (R$ 730 segundo informações da Administração Regional do Varjão) não paga nem a escola de um único filho do cidadão de classe média alta que mora no Lago. Não que a miséria tome conta de todas as moradias do lugar. O fato é que em ambas as vezes que eu fui lá achei bastante gritante a pobreza, principalmente diante do constraste "bairro nobre X favela de migrantes nordestinos marginalizados". Fomos eu, a Elis e o Thiago, os atuais responsáveis por dar suporte ao projeto Pequenos MC`s, coordenado por Martineli Fonseca. Depois de voltas e voltas em busca do paradeiro de Martineli, um moço simpático da Administração Regional ofereceu ajuda e nos levou até a casa do dito cujo que havia esquecido que tinha hora marcada conosco (haha. acontece!). O portão improvisado de uma madeira desgastada e judiada pela chuva nos convidou a entrar em um universo desconhecido, uma vida completamente diferente do que já tínhamos visto de perto até então (o mais próximo fora nos filmes da Rede Globo muito em voga que adoram mostrar a vida na favela). Após atravessarmos o quintal semi abandonado feito de terra batida e dos lixos e dejetos mais diversos, abriu-se uma pequena porta, de material semelhante ao do portão, que nos jogava direto para a realidade do Martineli e dos Pequenos MC`s. Era um cubílo, um ambiente realmente muito pequeno, passei os olhos impressionada mas tentando ser discreta. O computador velho, a televisão do começo dos anos 90, os armários quebrados e a cama que quase encostava o chão (feito da mesma terra do quintal), entretiam as duas crianças e o jovem, então abrigados no barraco. Eles estavam se mudando, por isso tudo estava uma bagunça, desculpou-se o dono da casa. Não descobrimos até agora se os menininhos moram com ele, mesmo já tendo tido muito contato com o coordenador do grupo de Hip Hop nos últimos dias. A proposta é que a gente dê apoio estrutural para ele e para os meninos tocarem o projeto. Temos tentado ajudar. Eles gravam clipes, compõem músicas, fazem apresentações para ONGs e escolas. É bastante interessante. Acho que vamos aprender muito com esses futuros grandes cidadãos. E que venham as próximas visitas ao Varjão, os próximos vídeos para se editar e os próximos editais para se responder (u.u)! Quanto ao quadro de desigualdade Varjão X Lago Norte, são também os Pequenos MC`s que deixam o exemplo, através da proposta de quebrar os preconceitos dos próprios moradores da Região Administrativa com sua cidade. O primeiro passo é eles não se sentirem inferiorizados, para que, em seguida, possam ir a luta para buscar uma situação mais favorável e justa.

Papel de jornalista cumprido por enquanto =) mantenho vocês informados. Se quiserem ver o vídeo deles no youtube aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=rLnEKG0CV1w. Porque nem consegui baixar pelo querido aTube Catcher.

bises :*