sábado, 28 de novembro de 2009

A árvore

Achei que deveria escrever uma crônica da inspiração divina dos meus amigos de querer me ajudar com um problema técnico que eu tenho desde os 15 anos e meu pai nunca quis me socorrer: dirigir. Sim! A Elisabethy (haha) e o Thiaguinho se dispuseram a me ensinar. Fiz a Elis passar sufoco. Mas o Thiago não, claro. Ele manteve-se sempre plácido, como se não fosse com ele, muito menos com o carro dele. Vamos então, à história. Tudo começou na terça-feira, depois da aula de História da Filosofia Antiga (porque ela não poderia faltar aqui, né?). A professora aderiu à greve. Portanto, eu não teria o que fazer naquela tarde. Decidi chamar os outros integrantes do trio para assistir Lua Nova no cinema. Como de costume, nos perdemos e demos mil voltas e resolvemos fazer vinte coisas diferentes antes de chegarmos ao Park Shopping para ver o filme. Lá no Park tudo se deu exatamente da mesma maneira, fizemos vários outros programas antes do cinema em si. Uma delas foi ir à Hot Zone. A Elis, sem infância, queria brincar em tudo. Até que, sem querer, ela descobriu a brincadeira mais divertida de todas: me ensinar a dirigir. Sentei em uma Ferrari (porque, segundo o Thiaguinho, sou muito metida e aprendo a dirigir só em Ferrari) e, tcharãn, eles me mostraram como passar as marchas e como usar os pedais. Tá, a dificuldade inicial foi conciliar o que a Elis falava com o que o Thiaguinho se desesperava, se é que vocês me entendem, só sei que achei legal. No dia seguinte fui na auto escola, eles marcaram meu psicotécnico para a sexta-feira de manhã. Só que eu nem podia ficar esperando à toa, parada. Convoquei a galere e lá fomos nós, na quase trágica noite de quinta-feira, para o estacionamento do Mané Garrincha. Acho que todas as pessoas em Brasília começam a aprender por lá. O que é tenso. Existem ônibus e caminhões saindo e entrando o tempo inteiro. Fora os guardinhas que ficam se divertindo as nossas custas. Passam também umas pessoas assim, bem do além. Com essa pequena declaração já deu para perceber o quanto eu devia estar apavorada, não? O problema comigo é que eu nunca sou tão previsível. Por isso, não, eu não estava assustada. Minha mãe diz que eu não tenho medo do perigo, além disso, ela tem acrescentado nos últimos dias que acha ótimo o Thiaguinho ter juízo suficiente para não me emprestar o carro. Mas no estacionamento ele empresta. E confia completamente em mim (nem coloca o cinto!). Voltemos ao momento em que trocamos de lugar, eu e o Thiago, a Elis estava tremendo há horas no banco de trás. Sentei, demorei um instante para colocar o cinto (sei lá, às vezes até parece que o cinto do motorista tem que ser puxado do lado contrário. Só que nem é, eu é que mudei de lado mesmo). Eles me ensinaram os procedimentos, pacientemente. Na verdade a parte da paciência fica com a Elis, porque o Thiago só concorda. Não que ele não seja paciente, ele só é estranho, nunca sabe ensinar. Pena que ele não acredita em mim quando eu falo isso. Eu entendo, também nunca soube ensinar as coisas. Fica a dica. Por precaução, eles baixaram a música. Pus o pé no freio, torci a chave ruidosamente (nessa hora o Thiago falou "ai! minha gasolina"), puxei o freio de mão... Ok, ok, aí nos deparamos com o primeiro problema: o freio de mão. Ele é pesado, ainda mais quando é o Thiago quem puxa. Preciso, normalmente, usar as duas mãos e puxar com toda a força que eu nem se quer tenho. Logo depois disso, aperto a embreagem e coloco na primeira marcha. Foram umas quatro vezes nesse processo. Até que consegui sair. Ai minha gasolina [2], porque eu fui de primeira mesmo. Segundo problema: como fazer o carro andar reto? Nunca fui uma pessoa descoordenada, no prézinho, uma vez, a professora me elogiou porque eu cortei os pés de um boneco que eu mesma desenhei bem na linha, certinho. Não sei onde foi parar a coordenação, só sei que o carro realmente não queria andar do lado da linha branca. Eu ia quase ziguezagueando. E a Elis lá atrás, sacudindo de um lado para outro e, provavelmente, pensando "Eu não devia ter ficado com o Renato no Luálcool. Por causa dele conheci esses loucos..." (haha. tá, talvez ela não tenha ido tão longe no pensamento, mas arrependida com certeza ela estava). Nada que não possamos arrumar com o tempo, no meu caso preciso de um pouco mais de tempo, só que isso nem vem ao caso. Quase consegui. Estava aliviando refletindo que ao menos não tinha atropelado nenhum meio-fio (estilo Alexandre) ou saído louca e bruscamente (estilo Moema). Quer dizer, para ser sincera, chegamos ao terceiro problema. Eu não sei ser sutil, definitivamente. "Pronto, agora para passar a terceira você acelera um pouquinho, Mari", então a Mariana enfia o pé com tudo no acelerador e faz o maior barulho da vida. Até atrair policiais, caras fazendo pega ou pessoas estranhas que tentam subir no carro do Thiago enquanto eu estou dirigindo. Ah, ou ainda um ser que surge a pé e vem pedir uma informação no meio do nada. Obviamente, essas coisas são banais demais diante da árvore. Concentremo-nos nela. Minha inabilidade com a atitude de ser delicada deixa a Tanajura um pouco desesperada (entendam por bastante), o que mais se escuta durante as pseudo-aulas de direção são frases do tipo "Mari, você não sabe o que é de leve, menina?", "Aperta, mas aperta um POUCO". O quarto problema foi, creio eu, o freio. A falta de sutileza não me permitia parar com cuidado. E nessas de ser uma moça agressiva vamos todos mandando beijos à gasolina do Thiaguinho (prometo que quando nós passarmos no estágio, sim, nós três passaremos, guardarei parte do salário para a sua gasolina, Pitel). A boa notícia é que sou muito esperta (não vale rir, Pablocito. huahuahua), logo vi que apertando a embreagem e depois o freio, com muita leveza, o carro para feito uma pena. Tá, foram eles que me disseram isso, claro. Houve uma pequena dificuldade com a meia embreagem também. Porém, isso não chegou a ser um problema. Reservei o sétimo problema para, finalmente, contar o episódio da árvore. Já que o sete é um número que se encaixa perfeitamente com a situação (isso ficou ao meu critério e nem mesmo faz sentido para os bróders, talvez para o Thiago), gosto dele. Eu estava dirigindo até com certa destreza, guiei o carro, concentradamente, para a pequena subida no final do estacionamento. Mas eu não sabia como voltar, pedi uma luz para o Thiago, claro, porque já estava na hora de virar, eu tinha medo de bater em tudo (parece que quando o carro está nas nossas mãos todos os caminhos ficam pequenos e estreitos). Ao que o Thiaguinho respondeu "vira o volante todo para a esquerda". Virei o volante. Entretanto, na emoção e nervosismo, também apertei o acelerador. Foi nessa hora que tudo pareceu mais claro, agora fazia sentido o Thiago correr ao ritmo da música. Ou melhor, fazia sentido ele correr. Antes era meio inconcebível. Mas, sério, é real e estranhamento bom apertar com tudo o acelerador. Não, não serei uma motorista irresponsável. Não pensem assim. Foi só, como eu disse, a emoção do momento. O detalhe é que não era simplesmente acelerar o carro, isso não é tão bom assim, mas era acelerar o carro em uma curva e do lado de uma árvore enorme! Lembro como se tivesse acabado de acontecer. Ele foi girando, girando rápido, eu caindo por cima do Thiago e a Elis gritando para eu parar e o Thiago respondendo "não assusta ela, não é nada demais". Contudo, refletindo, conclui que foi um pouco demais sim. Passamos bem perto da árvore mesmo! Isso não tornou as coisas menos divertidas. Apenas a Elis, pobre Tanajura, ficou branca, pálida. Eis a cena impagável daquela noite da minha estréia da direção: a Elis com cara de quem viu a vida passando na cabeça em um segundo. Eu ria, o Thiago também (fácil de imaginar). O restante do tempo foi sem maiores transtornos. A Elis também dirigiu. Quem não ficou tão feliz assim no final da história foi o Pitel. Porque, né, era a gasolina dele, o carro dele e a vida dele. Huahuauhahua. Quem disse que o Thiago sabe o que é perigo? Eu não sei. Por isso foi tão engraçado. Ontem eles me deram a terceira aula. Segunda na prática de verdade. Morri o carro mais vezes. Só que também dirigi mais e melhor. Meus pais falaram que essas coisas a gente vai aperfeiçoando a cada dia e que depois vai ser como digitar para mim. De qualquer forma, minha mãe fez uma de suas típicas observações, apenas para constar (e para me tirar!): "É, vai ser bem difícil para você se você não consegue nem mesmo segurar o volante reto...".

As aulas teóricas começam na terça, galere =) me desejem boa sorte. haha.
beijos e queijos :*

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Salut ;D mais uma vez, galere. Pois é, o Dia Mundial de Combate Contra a AIDS está chegando, vai ser na próxima terça-feira. Não sei se vocês ficaram sabendo, mas bem no comecinho de setembro desse ano (no dia 6) foram divulgados os produtos de uma campanha publicitária alemã que viria a ser veiculada na ocasião do dia 1 de dezembro (o já mencionado dia da luta contra a AIDS). Só que, antes do final do ano chegar, essa peça deu muito o que falar. Vejam vocês mesmos =] Leiam o artigo que escrevi com um colega (o Paulo Victor) e reflitam.


No início de setembro deste ano, a agência publicitária “Das Comitee” (Hamburgo, Alemanha) lançou uma campanha contra a AIDS, a fim de ser veiculada nas TVs e cinemas alemães. Contratada pelo órgão humanitário “Regenboden”, a propaganda, de nome “AIDS, um assassino em massa”, chocou os críticos da área pelo caráter apelativo que deu ao problema endêmico provocado pelo vírus HIV, associando-o à figura do ditador Adolf Hitler.

O assunto Hitler ainda é bastante delicado na Alemanha e a situação agrava-se mais com o fato de a propaganda mostrar cenas de sexo explícito entre um casal (outro assunto delicado, dessa vez na sociedade ocidental contemporânea como um todo). A face do homem no vídeo só é descoberta ao final desse: é o rosto de Adolf Hitler. Para causar efeito, seguida da revelação, surge na tela a seguinte frase: “AIDS, um assassino em massa. Proteja-se!”.

A campanha foi feita para ser promovida em toda a Alemanha, pretendendo conscientizar os cidadãos, principalmente os jovens, sobre a importância do sexo seguro. Foi levado em conta também que o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS se aproxima, será em 01 de dezembro.

Mas, como já foi mencionado, o nazismo continua sendo uma espécie de tabu na sociedade alemã e, de maneira menos intensa, no restante dos países. Criou-se uma espécie de mito diante da figura de Hitler. A comunidade judaica, que detém grande parcela da mídia mundial, expõe para a população a imagem do ditador como uma personificação do demônio. Não estamos dizendo com isso que as atitudes de Hitler não causaram efeitos bastante graves e impositivos para a humanidade, ele, de fato, foi cruel e déspota ao extremo ao defender suas ideologias.

Foi exatamente por esse motivo que a Agência Publicitária Das Comitte decidiu usar sua imagem (assim como as de outras figuras políticas que ficaram marcadas na história por seu modo desumano de agir: também foram feitos pôsteres de Saddam Hussein e de Josef Stálin) para causar impacto. Os criadores da peça, ao defenderem sua proposta, alegaram que pretendiam caracterizar o vírus como um elemento maligno. Seu objetivo era sacudir as pessoas e uma forma chocante de fazê-lo era dando à doença um rosto que “certamente não poderia ser bonito”, reproduzindo aqui as palavras de Dirl Silz, diretor de criação da campanha. O outro diretor de criação da empresa completa: “Muita gente não está consciente de que a AIDS mata todos os dias muitas pessoas. Eles (a ONG Regenbogen) queriam uma campanha que dissesse aos jovens que ela continua a ser uma ameaça”.

Já a ONG (Organização Não Governamental) responsável pela concepção da idéia, a Regenbogen, justificou-se utilizando números: “No mundo, morreram mais de 28 milhões de pessoas. E a cada dia surgem 5.000 novas vítimas. Com isso, a AIDS é um dos maiores assassinos de massas que já existiram até hoje”. O site da campanha também possui informações sobre o contágio e a proliferação da moléstia (por exemplo, a cada 15 segundos uma pessoa morre de AIDS no mundo). A campanha, portanto, apesar de abrir vertentes para um sem fim de críticas e polêmicas, as quais serão expostas em seguida, é, por outro lado, inegavelmente, memorável e, objetivamente, eficaz.

Antepondo-se ao ponto de vista no qual se baseia a publicidade, cidadãos, entidades e noticiários de toda a parte expuseram sua opinião, muitos acusando a propaganda de agressiva e preconceituosa. Segundo uma reportagem feita pelo portal G1 (da Rede Globo de Televisão), ONG's inglesas classificaram a peça como sendo um fator de estigmatização dos soropositivos, ou seja, colocando os aidéticos como "nazistas" e "assassinos" ou como pessoas do mal de quem se deve tomar distância. Algumas entidades européias apontaram para o caráter insensível da agência para com os portadores do vírus.

A Associação Alemã de Ajuda contra a AIDS (DAH), por sua vez, observou o aspecto contraditório da campanha que, de acordo com sua análise, viria a prejudicar o combate à doença. Além disso, ela provavelmente ofende, de modo generalizado, a todas as vítimas do nazismo. Carsten Schatz, integrante da direção da DAH, lembra, em comunicado oficial, que a publicidade “não tem nenhuma mensagem sobre como se proteger do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis”. Ele finaliza sua manifestação dizendo, ainda, que a proposta publicitária serviria somente para gerar pânico.

O repórter Adriano Nobre, do site português “i Informação”, em sua coluna sobre o fato, fala das opiniões de publicitários portugueses sobre o ocorrido. Criticando a ética da campanha, o diretor de criação da agência “Excentric” Jorge Teixeira, diz: “Geralmente o limite da publicidade é o bom senso de quem passa o cheque”. O site ainda cita a declaração de Luís Mendão, um dos diretores do “Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de Aids”: “A Aids é um problema sério e as pessoas devem ser alertadas usando todos os mecanismos possíveis. Mas parece-me incorreto usar a imagem de Hitler desta forma, diabolizando o soropositivo. Até porque o foco destes alertas deve estar na necessidade de proteção”.

De acordo com dados do blog Do Entrelinhas (confira no endereço: http://doentrelinhas.blogspot.com), a emissora alemã RTL recusou-se a veicular a propaganda, alegando que, não apenas o rosto de Adolf Hitler, como também as cenas de nudez e sexo parcial no vídeo são inadequadas. O site Youtube, igualmente, decidiu deletar o vídeo de sua página eletrônica, afirmando que seu conteúdo atenta contra o regulamento do site.

Quando as peças com as figuras de Adolf Hitler, Saddam Hussein e Josef Stálin foram divulgadas e a intenção era veiculá-las só no fim do ano, não se imaginava que elas gerariam tamanho desconforto. Isso torna o futuro dessa publicidade incerto. A DAH exigiu a suspensão da campanha. A Das Comitte, em contrapartida, tem em mãos a publicidade completa, composta por diferentes trabalhos (há pôsteres, vídeo e música).

Agora, quem deve decidir o que é melhor para seu público e para a sua população, são a mídia alemã e o seu Governo, entrando em consenso. Apesar da grande carga negativa detectada na campanha, ela foi feita, sem dúvidas, com a melhor das intenções: combater essa doença que tem se infiltrado no nosso cotidiano tão rapidamente nas últimas décadas e que vitima tantas pessoas de maneira arrebatadora. Independentemente de mostrar-se relacionada com fatores bons ou ruins, o que importa é sua mensagem central e objetiva: a AIDS está aí e está matando muita gente. Então, proteja-se!



domingo, 22 de novembro de 2009






Eu tava aqui vendo o Obvious (o blog) e encontrei umas publicidades super criativas e (a melhor parte) que não foram feitas só para estimular o consumo louco, obsessivo e compulsivo, mas contém idéias positivas. Just take a look (=


Orelha Quente

Acho que não comentei aqui ainda (ou talvez tenha comentado, minha memória é traiçoeira comigo), mas estou fazendo uma revista pra Planejamento Gráfico sobre superstições, crenças e afins. Resolvi divulgar um pouquinho do nosso trabalho aqui. Foi super interessante ir fazer essa entrevista. Mas acho que nesse dia descobri que não levo jeito pra coisa. Quer dizer, que eu me identifico bem com as câmeras e com o ambiente televisivo eu já sabia. Só não sabia que era tão ruim fazendo entrevistas. huahuahua. Tudo bem, não desisti dos jornais/revistas. Sempre aprendemos com o tempo =)

A Cafeomancia é uma prática usada para adivinhar o futuro através da leitura da borra de café que aparece na parede e no fundo de uma xícara, depois de bebê-lo. Ela tem origem árabe, sendo, inclusive, muito difundida nesses países, tornando-se uma de suas mais ricas tradições, principalmente no Irã, na Turquia e no Sul da Rússia, onde era praticada pelas cortes dos grandes czares. Ler a borra de café é um exercício que exige muita concentração e sensibilidade, necessárias para que se perceba com clareza a figura que surge, decifrando-a. Para a realização da leitura, utilizam-se os seguintes componentes: o pó de café, açúcar, uma xícara e um pires branco. Acredita-se, ainda, que o café seja um excelente elemento para atrair a prosperidade. A fim de saber um pouco mais sobre a tradição tão inserida em muitas culturas mundo a fora, a Orelha Quente foi atrás de alguém reconhecido na área e que pudesse nos falar com maior clareza sobre o assunto. Conseguimos contato, então, com Lidija Milovic, exotérica iugoslava que imigrou para o Brasil há muito tempo e hoje, aos 55 anos de idade, tem seu próprio negócio para tratar de temas referentes à Cafeomancia e ao Tarô. Acompanhe a entrevista feita com Lidija:

Orelha Quente - A senhora pode nos explicar como decorrem as consultas?

Lidija - Bom, eu não faço consultas. Eu só estou olhando o que a xícara fala. Não sou eu quem fala, é a xícara quem fala. Ela tem energia. E abrindo a xícara você vê as coisas. Você sente, você cheira, você percebe e depois fala o que vê.

Orelha Quente - O que exatamente você vê na xícara?

Lidija - Um momento. O momento da pessoa e os sentimentos do momento dela. Geralmente, a energia sentimental é mais forte. Ela aponta para os medos, doenças e ansiedades das pessoas. A energia referente aos sentimentos do momento atual prevalece e o passo seguinte liga-se a situação do momento que a xícara mostrou.

Orelha Quente - Com quem ou como você aprendeu a ler a borra de café?

Lidija - Boa pergunta. Mas eu acho que isso não dá para aprender. Isso é uma coisa que muito tempo eu neguei, eu fugia desse dom. Minha mãe era muito boa em ver borra de café. Ao ter contato com o mundo árabe ela entrou em contato também com as xícaras. Lá ela, apesar de não saber explicar como, começou a olhar para as manchas e ela via as coisas, via as figuras, via as cores e essa é a energia. Quando eu nasci, junto dela, eu comecei a olhar para aquilo e via essa figura, via aquela outra. Foi assim que começou.

Orelha Quente - Qual é o público que procura os seus serviços?

Lidija - De jovens até velhos, todo mundo procura. Homens, mulheres, casados, desesperados, políticos, psiquiatras, todos.

Orelha Quente - Qual é o público predominante?

Lidija - Predominam as mulheres entre 25 e 35 anos de idade.

Orelha Quente - Como você acha que a sociedade recebe e encara o seu trabalho?

Lidija - Ela é vista como uma profissão exotérica. Algo totalmente atraente e que funciona, que dá certo e consegue atingir o objetivo de matar a ansiedade.


DISK HORSES: 3331-1179

Fui à Pirenópolis, pequena cidade turística do Estado de Goiás, apenas para passar o feriado, eu e mais dois amigos. Em uma das tardes do passeio, após aproveitarmos as cachoeiras e a lindíssima paisagem do lugar, decidimos descer dos morros a pé. Uma idéia divertida para uma viagem ainda mais divertida. Como bons jornalistas que somos (ou seremos), a câmera fotográfica era parte tão essencial das nossas jornadas quanto uma garrafa de água. Tirávamos fotos de tudo e de todos, aproveitamos para fazer nossos trabalhos das disciplinas da faculdade que envolvem fotografia e, claro, também registrávamos nossas próprias imagens, assim como algumas situações e momentos marcantes. E eles não foram poucos! Os três dias e duas noites de viagem resultaram em mais de duzentas fotos.

Mas a mais distinta delas, sem dúvidas, foi uma que tiramos naquela situação mesmo, enquanto descíamos das cachoeiras, pouco antes do pôr-do-sol. A princípio, a cena passou despercebida por nossos olhos. Foi quando, desatento, meu amigo olhou para o lado e viu. Era uma placa com os seguintes dizeres: “DISK HORSES”. Ficamos todos admirados e ao mesmo tempo achando a idéia bastante cômica. Todavia, analisando posteriormente, notei que era algo criativo e, ao ter essa percepção, tive vontade de ampliá-la e aperfeiçoá-la.

Meu projeto, primeiramente, era expandir o Disk Horses para outras regiões e cidades onde fosse possível sustentá-lo. Em municípios que possuem grande potencial turístico e belezas naturais exuberantes, com espaço para os cavalos e com uma pré-disposição das pessoas para experimentar novidades (turistas adoram o novo), a empresa funcionaria de maneira positiva. Preferi, então, criar não só um novo serviço para a comunidade, mas também um “auto-desafio”: trazer o Disk Horses para Brasília.

Os animais seriam colocados em uma fazenda não muito distante do Plano Piloto. Seria preciso comprar entre cinco e dez pequenos caminhões para o transporte. Em uma capital desse tamanho é bem plausível que indivíduos alternativos e que gostam de inovar se interessem por alugar cavalos. Existem também as pessoas que fazem equitação ou andam a cavalo por prazer. Porém, é evidente que, para um investimento tão grande, o público tem de ser consideravelmente maior, pois, como toda empresa, o Disk Horses visa o lucro.

Por isso, para atrair mais gente (e é nesse ponto que entra a minha própria criatividade), pensei em diversificar a proposta, aumentando os tipos de animais que podem ser emprestados. É possível usar (além dos cavalos) pôneis, ovelhas, burros, mulas e veados. Para tanto, teríamos que impor regras e restrições para a contratação de cada diferente bichinho. Mas as utilizações primeiras seguiriam, teoricamente, as instruções abaixo:

Cavalo - Será usado para aluguel no dia-a-dia por qualquer cliente a partir de determinada faixa etária (maiores de 16 anos, por exemplo). Alugaremos eqüinos para passeios, para corridas e para eventos. Veja as possibilidades:

Cavalo Simples – É o cavalo usado para passeio e para atividades ordinárias.

Cavalo de Corrida – É o animal treinado pela nossa equipe e capacitado para corridas profissionais e especializadas.

Cavalo de Festa – Será emprestado para casamentos, formaturas, aniversários e situações afins, nas quais o dono da comemoração deseje apresentar-se causando surpresa ou com elegância. (Ex.: a noiva chega montada em um cavalo para a cerimônia de casamento).

Cavalo Especial – Eqüino devidamente preparado para desfiles e eventos oficiais.

Cavalo Beto Carrero – Para ocasiões em que se deseje fazer alguma encenação, como a simulação do herói salvando a mocinha ou cenas referentes à mitologia.

Cavalo Príncipe Encantado – É a mais romântica e apaixonada de todas as nossas propostas. O cavalo Príncipe Encantado será útil para homens e mulheres que estiverem interessados em fazer seu próprio conto de fadas. Os pombinhos terão à disposição cavalos brancos e pretos (os mais bem escovados e de pêlos reluzentes da fazenda) e com a sela vermelha e as rédeas douradas. O objetivo é que as pessoas os aluguem para fazerem declarações de amor na casa, trabalho, academia, escola ou qualquer outro ambiente da metrópole para seus cônjuges ou pretendentes. É um jeito criativo e inesquecível de abrir o coração ou buscar a reconciliação. Apenas para complementar essa homenagem tão especial, o Disk Horses oferecerá, como brinde, um buquê de flores para o cliente.

Pôneis e Ovelhas – Serão destinados, exclusivamente, ao uso por crianças até 10 anos. As ovelhas, na época de Natal, poderão ser alugadas para Presépios Vivos.

Burros – Serão alugados para situações cotidianas (dependerá de regras determinadas pela empresa, com relação às condições físicas do animal e do cliente, para que se avalie se eles são compatíveis no que diz respeito à saúde do burro).

Burro Simples – Empréstimo comum (para montaria).

Burro Ió – Burrinhos pequenos que serão destinados a animação de festas infantis (para fotografias, para as crianças brincarem, para complementar a decoração).

Burro Shrek – Utilizado para festas, tanto para a decoração ou animação, quanto como acompanhante em festas à fantasia ou situações similares.

Mula – Tem a pretensão de serem alugadas no dia-a-dia.

Mula Especial de Halloween – Para quem tiver uma festa de Halloween à vista e quiser arrasar com sua fantasia, fizemos um especial de Halloween: a Mula sem Cabeça. Vestiremos na cabeça da mula uma máscara especial com brilho de fogo, para simular que o animal está sem cabeça e, depois disso, é só o cliente se divertir e divertir também a todos os amigos que achavam que mula sem cabeça não existia.

Veados – É uma seção especial de Natal, os veados do Disk Horses serão alugados em um conjunto de, no mínimo, quatro para carregar o trenó do Papai Noel em shoppings. Já na rua, o número mínimo serão seis veados. Nossa empresa possuíra trenós para empréstimo e distribuíra os sininhos dourados e as coleiras vermelhas para os animais, para que o clima natalino fique completo.

Obs.: (1) Não será permitido usar qualquer um de nossos animais como meio de carregar qualquer tipo de produto ou clientes, pois, conforme a ética do Disk Horses, essa seria uma forma de maltrato aos bichinhos.

(2) O Cavalo Beto Carrero não fará representações relacionadas à guerra ou lutas, de acordo com o código de ética do Disk Horses.

(3) O aluguel do Burro Ió deverá considerar a quantidade de crianças na festa e também a forma como os serviços do animal serão aplicados, com o intuito de evitar que este fique estressado e prejudicado fisicamente.

Apresentada a idéia, basta, agora, conseguir financiamento para colocá-la em prática. De qualquer forma, fica a dica. Afinal, quem não ia se divertir se visse ovelhas nos gramados dos condomínios do Sudoeste, se desse de cara com um trenó de Natal levado por seis veados em plena W3, se fosse a uma festa de criança e as encontrasse acariciando um burro ou se recebesse um pedido de casamento do namorado (a) que chega para abordá-la (o) montado em um cavalo? Enquanto não temos o Disk Horses em Brasília, fica a foto do serviço lá em Pirenópolis. Se quiser experimentar, ligue e aproveite!


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Acertar de primeira

Nem era assim tão óbvio que ele queria deixar transparecer e pronto; sem vergonha, sem angústias, sem qualquer intimidação. Afinal, ele a tinha. Não fora nada fácil conseguir, foram vários estágios, todos incansáveis. Mas agora ele a tinha. Dizem que nada é para sempre, mas a sua conquista era eterna e inigualável. Ele podia fazer inveja em todos, bastava colocar as mãos para cima, segurá-la firme e gritar “eu consegui!”. Sim, era para o mundo inteiro enxergar. Pena que não era claro. Pena ainda maior que era desinteressante para as outras pessoas. Apenas ele (e mais ninguém) conseguia medir a transparência daquele momento: ele tinha para si o conteúdo do cartão de aniversário que Ana enviará para Augusto, no verão de 1967. Era preciso explicar a fuga, era preciso entender os motivos e era mais preciso ainda esclarecer a história de Lucas. Ana era sua irmã, que fugira para a Bolívia deixando casa, cachorro, pai, irmão e namorado. Augusto era o namorado (naqueles tempos). E Lucas continua sendo o irmão. Quando ela foi embora, Lucas deixou com ela, por precaução, sua própria loucura. Mas quem pode viver sem loucura? Por isso ele queria com toda a força que se pode querer o cartão, só para ver se era possível resgatar a loucura. O cartão tinha uma frase e a frase, loucamente, dizia tudo: "A certeza foi acertar de primeira, o medo agora é não acertar nunca mais". Aí, então, Lucas enlouqueceu, recuperando seu antigo e agradável estado de espírito. Ele conseguira, por fim. Dera-se conta de que, outrora, havia certezas para Ana. Ela sabia que amava Augusto, acreditava que precisava do pai e afirmava ter que tomar conta de Lucas. Certo dia, porém, ela acordou meio zonza e, como se fosse mágica ou então como se fosse lógico, viu que era tudo remoto e frágil. Por não querer quebrar os sentimentos dos seus e por ter consciência de que já estava bem longe, Ana, simplesmente, se foi. Sua única bagagem era a loucura de Lucas. A mesma que ele tinha acabado de reencontrar. Foi aí que ele percebeu que para Augusto estava tudo tentando se equilibrar em uma espécie de corda bamba, em um fio quase invisível que tinha como responsabilidade ser forte o suficiente para segurar um mundo inteiro em seus nós. Ou, quem sabe, não estivesse. Poderia ser que Ausgusto fosse, hoje, indiferente. Contudo, para Lucas sim, o medo era, sem dúvidas, não acertar nunca mais. Pelo menos ele estava arriscando. Sua reação aos fatos era a estagnação. O que importava mesmo é que ele, por fim, conseguira: a loucura era, mais uma vez, toda sua. Ele só ficava ali, imóvel, comemorando. Apesar de não ser assim tão óbvio que ele queria deixar transparecer e pronto; sem vergonha, sem angústias, sem qualquer intimidação. Afinal, ele a tinha.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Garota das Laranjas

"Quem não vive agora não vive nunca. O que você está fazendo?"

- Piet Hein, poeta dinamarquês

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ele entrou, ela não estava ali. Não era de hoje que ela não estava mais ali. Já devia fazer uns 5 ou 6 meses, talvez 4. Tanto faz. Um dia ele disse a ela que o tempo passava rápido ali. Não era verdade, desde que ela não estava mais ali o tempo passava bem devagar. Nem um pouco apressado. Mas completamente irritado. Desde o momento do "adeus". Nada estava claro na cabeça dele, foram dias loucos aqueles. De repente, tudo estava despedaçado, de repente, tudo estava refeito e, no instante seguinte, quebrou-se pela última vez. Será que era a última vez? O amor deles era tão novo. Um velho amor ainda e sempre. O problema é que o amor dele não era mais dela. E o amor dela continuava sem nenhum destino ou intenção. Voltemos então a ele entrando ali. Era uma terça-feira qualquer, o diferente foi lembrar assim, sem nem querer, do que tinha acontecido há um tempo já e que também já parecia apagado na memória. Ou pelo menos assim deveria-se fingir. Ele fingia. Ela também. Um dia desses ela tinha ligado pra ele, perguntando porque ele a odiava tanto. Ódio, odiar... Ele falava, angustiado, eu não te odeio, eu não te odeio, fulana. Ela não estava convencida. Pudera, né?! Fora tudo tão estranho. Ela viajou, ele ficou, ela o esqueceu, ele lembrava dela todos os dias, cada vez mais. Ela voltou, ele foi atrás. Mas quem disse que ela seria previsível? Ela nunca fora. E o que ela queria dele, meu Deus? O que? "O que será que ela quer de mim, afinal?" - ele vivia se questionando. Acho que nunca tinha lhe ocorrido que não era preciso querer, querer é demais quando já sentimos e o nosso sentimento é tamanho que não temos idéia, ele só transborda. Amor, amar... Quando o amor dela percebeu que queria ser amado pelo amor dele que agora já amava o amor de outra pessoa, ela se desesperou. Ela, ou talvez o amor próprio dela. Pena que ele não sabia disso. Se sabia, ele não queria ver. Não, não é que ele não quisesse ver, era mais cômodo, nessas alturas, deixar as coisas bem assim, como as coisas estavam. Por pior que elas estivessem. Daí ele entrou, sentou-se na carteira, perplexo, refletindo sobre a possibilidade de ela gostar dele e não ter dito logo a verdade e esse ser o motivo por ela ter perdido a cabeça e a amizade. É ruim quando é tarde demais para as coisas na vida. Ela se sentia tão só. Ele se sentia tão e cada vez mais dela. Não havia, porém, o que fazer com relação aos sentimentos. Ela passou, cabeça erguida, coluna ereta, carregando dois livros apertados contra o peito. Ele pensou em levantar, ir atrás e confessar que ele precisava dela, desse jeito mesmo, bem clichê. Ela, por sua vez, pensou em dar meia volta, entrar correndo na sala e dizer que ela iria ficar, ficar longe, ficar perto, ficar toda para ele. É, pode parecer mentira, pode parecer que não, mas o fim da história (que ainda não acabou) é que, depois de toda a confusão, ele continuava tendo ela bem na mira. E ela continua tendo ele na mão. O problema é que tinha ficado para trás o que os havia juntado. Só que eles ainda lembram...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Saudades do tempo perdido


Nossa! Eu realmente não estou mais conseguindo produzir. Sim, estou fazendo as reportagens da revista de PG. Mas só penso no semestre acabando, nas férias, no verão, na vida longe desse segundo semestre que insiste em me perseguir. Ah, as festas foram ótimas, festas são sempre boas. Aliás, quase sempre, exceto aquelas em que o Thiago e a Elis estão. huahuahua. O problema foi o conteúdo mesmo. Que conteúdo? Hoje minha reflexão foi em cima de um cena bonita que ficou na minha memória sábado passado, na festa de aniversário da amiga da minha prima, a Irina. Não sei se cheguei a comentar. Essa cena me lembrou outra cena também bem massa que rolou no dia do Peru de Natal, lá em Jaguari, no Natal do ano passado. Todas as cenas inesquecíveis da vida tem que ter música tema, né? Chama-se Tempo Perdido, Legião Urbana. Na terça-feira o Thiago passou na UnB pra me buscar, eu tava saindo super deprimida da aula de História da Filosofia Antiga e quando entrei no carro tava tocando a dita cuja. Ela é de arrepiar quando nós paramos pra pensar no "somos tão jovens". Foi esse momento que ficou marcado na minha memória no sábado. Estávamos dançando, todos felizes e animados, na Gates, e aí Tempo Perdido começou a tocar (só para constar, tô ouvindo Eduardo e Mônica agora. haha). O fato é que nos unimos numa rodinha, um grupo de umas 15 pessoas eu acho, ocupamos um espaço enorme do ambiente e girávamos enlouquecidos gritando a letra da música. Eu encarava cada um deles e pensava "somos tão jovens", e dizia "somos tão jovens" e respirava aquela sensação de "somos tão jovens". Voltando alguns meses nesta juventude, desembocamos na trágica noite em que eu e a Camilla quase viramos comida na mesa de Natal. É claro que essa história fica pra uma outra ocasião. O que importa é que deviam ser umas 3 horas da manhã. Estávamos sentados na área da frente do Pseudo-Shopping de Jaguari. Se não me falha a memória (e ela provavelmente me falha, porque não é das melhores) nossa disposição era a seguinte: a Camilla encostada de um lado de uma das pilastras da entrada, o Chico escorado do lado oposto, em frente, eu, do lado de um grande vaso de flores, do meu lado o Saco, apoiando-se na vitrine de uma loja, do seu lado o Pedro e logo depois a Mari. Talvez o Pedro e o Chico estivessem em posições invertidas. Isso não vem ao caso. Sei que haviam coleguinhas na escada lateral com um ou dois violões cantando todo tipo de música e nós ríamos deles e também de nós mesmos. Até que eles cantaram, ironicamente, Tempo Perdido. Isso é tão sugestivo, não é? Cantamos, o Chico cantava em alto e bom som, o Pedro com ar nostálgico, a Mari com certa tristeza na voz, o Saco com convicção, a Milla sem muita certeza e eu como alguém que estivesse tentando guardar aquela cena pro resto da vida. É que foi lindo! Chovia, chovia uma daquelas chuvas de verão que deixão saudade. Em julho, houve um dia em que estávamos todos reunidos bebendo vinho e o Pedro cobrou que o Saco devolvesse o copo de vinho porque ele o estava segurando por tempo demais. Ao que o Saco respondeu: "Não, cara! Deixa eu segurar mais um pouco. Porque eu sei que essa é uma daquelas cenas que eu vou querer lembrar quando estiver lá no Rio, é uma das cenas que eu vou sentir saudades". Já não é mais verão de 2008, não é mais julho de 2009, não é mais sábado passado. Só que nós continuamos sendo tão jovens. O que será que estamos fazendo com nosso tempo perdido?

obs.: exceto o momento melodrama, aqueles lá de cima somos nós na festa da Irina. Dá-lhe Bono ;D

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Crônica-mente

Pensando bem acho que esse negócio de paixão é quase uma doença crônica. Sim! Daquelas que não são resolvidas em um curto espaço de tempo, não são emergências, mas podem se tornar bastante graves. A vida curta que lhe acusam de possuir fica por parte do pequena espaço de tempo que ela dura e porque, depois que passa, leva consigo para o outro mundo aquela conhecida projeção da pessoa amada. Acredito que a morte seja dupla. Pois morre também o apaixonado. Já a minha sugestão dela ser crônica é pura e simplesmente porque as paixões sempre deixam lembranças, traumas ou indiferenças por grandes períodos de tempo. Doenças crônicas, segundo a Wikipédia, são assintomáticas ou quase assintomáticas, entretanto, caracterizam-se por episódios agudos perigosos e/ou muito incomodativos. Isso não lembra o começo daquela tão cotidiana sensação na história do mundo (como disse Vinicius de Moraes, a história do amor nada mais é que a história do mundo) das borboletas na barriga? Primeiro parece que não é conosco, que nem estamos sentindo o coração bater mais forte, os sinas indiscretos que todos os outros conseguem captar mas nos quais nós mesmos hesitamos em acreditar, as indiretas, as provocações e toda a sequência de babaquices que é constante no currículo dos pré-apaixonados. Em seguida, ao admitirmos que algo está, de fato, diferente, há o período de adaptação, nele ficamos apenas curtindo os sintomas. Essa fase tem durabilidade variável de pessoa para pessoa. É certo, porém, que uma hora ou outra atingem-se os já cogitados episódios agudos perigosos e/ou incomodativos. A partir daí as reações são as mais variadas. Tem quem pire por dentro, tem quem pire por fora. Tem quem enlouqueça quem está ao seu redor, outros enlouquecem sozinhos. Os fatores de risco são sabidos, ocorrem implicações como tensão arterial, problemas de frequência cardíaca, obesidade ou falta de fome, consumo de álcool ou tabaco acelerado ou retardado e uma série de consequências que estão estritamente vinculadas com a correspondência da paixão e com adaptações psíquicas do indivíduo. Surgem então idéias completamente loucas que jamais viríamos em outro estado de inspiração que não o amor: Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal num acesso de ousadia e nostalgia, Cazuza quis presenter a amada com mil rosas roubadas, Nietzsche (em Quando Nietzsche chorou) deixava que Lou segurasse as rédeas, Lispector se debatia entre as contradições de amar ou não amar (em "Eu te amo") e entre tantas outras pequeníces ou extravagâncias, as pessoas vão demonstrando o que sentem. É um perigo um apaixonado. Eles conseguem mover montanhas, assim, de verdade mesmo, não só metaforicamente. Os apaixonados movem o que quiserem, céu, terra, mar, mudam o mundo e mudam as vidas uns dos outros. O problema mesmo é que as paixões acabam. Talvez esse seja o resquício mais drástico da doença crônica: a paixão chega ao ponto de virar um mal. Ou, talvez (quem sabe?), o mal seja mesmo se deixar apaixonar. Porque apaixonados perdemos a noção do tempo, das atitudes, das coisas e as vezes até de nós mesmos. No final das contas é só se precaver e a prevenção é cuidar bem da saúde. Porque (não tem como fugir) tem uma noção com a qual nem podemos ficar sem: as paixões crônicas de causa infecciosa são causadas por indivíduos invasores com os quais é atingido um equilíbrio. Dica: A OMS sugere muito CUIDADO!



É que eu acho que nos (pseudo) apaixonamos várias vezes ao dia, simplesmente porque é divertido. Hoje eu disse pra minha mãe que achava que tinha me apaixonado, depois fui parar pra refletir. Não é a primeira vez que acho isso, não é a primeira vez também que me engano, me confundo, mas me divirto. Feelings and more feelings! Creio que devemos simplesmente tentar =) todas essas vezes!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Well, well. Final de feriado e resolvi ressurgir aqui, depois de todo tanto tempo de abandono. Foram tantas emoções depois de um pseudo-Halloween fracassado. risos. Pobre Thiago, sem saber comoproceder com uma Mariana arrependida, alterada e sonolenta no carro, uma Elis apaixonada pelo Pedro-Paulo e preocupada em saber se ele ia ou não ligar pra ela no futuro e uma Dani histérica. É divertido recordar. O bom mesmo foi penetrar no aniversário da bróder da minha prima e me divertir a noite inteira com música BOA e gente pirada. Nada como chegar em casa na hora do café da manhã sempre =) faz bem pra alma, acreditem! Ontem, entretanto, foi a noite de parar e refletir sobre os últimos momentos. Assisti um filme suscetível de análises intensas (haha): Foi apenas um sonho. Já viram? Vejam. É chocante e triste. Mas não triste de forma arrebatedora. Simplesmente triste, com tudo que a palavra "simplesmente" tem que banal e usual. Depois de assistirem, caso alguém resolva assistir, reflitam sobre quem é realmente louco, sobre o quanto nos acomodamos e se nossos sonhos tem mesmo algum valor (para alguém e, principalmente, para nós mesmos). Eu refleti. Só que nem conclui nada. É difícil tirar conclusões sobre assuntos tão óbvios mas que nos assombram diariamente. Há uma cena em que o cara com problemas psíquicos é super inconveniente e joga na cara do casal todos os seus "patos selvagens" (sim! eu faço Oficina de Interpretação), quer dizer, seus medos, falhas, erros, tudo aquilo que é 'sujo' e estava escondido no armário, jogado embaixo do tapete. É sempre ruim e (mais uma vez) inconveniente escutar a verdade. Tá, só resolvi falar disso tudo porque estava aqui lembrando de Beleza Americana. No final das contas todas, existe mesmo muita beleza no mundo e isso nos invade, nos infla, nos enche. O que vocês pensariam naqueles infinitos segundos antes de morrer? Acho que iria pensar no céu azul de um dia em que eu brincava no quintal da casa da minha avó com minha prima mais velha. E numa menininha comendo melância que eu vi, uma vez, há muito tempo atrás, enquanto passeava de ônibus lááá em Panambi. Talvez eu só pensasse em pessoas. Mas pode ser também que só visse tudo branco. Ou, então, tudo escuro.