quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

E termina a Confecom!

Por Mariana Fagundes e Thiago Vilela

A redução da participação do capital estrangeiro nas empresas de comunicação de 30% para 10%; a proibição de dispositivo técnico, sinal codificado ou outra medida de proteção tecnológica pelo serviço de radiodifusão (DRM); a anistia das rádios comunitárias flagrada sem autorização; uma política de massificação de TV por assinatura. Essas foram algumas das propostas aprovadas na 1 Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), encerrada hoje, em Brasília.

Durante o evento, os 1.684 delegados, entre sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público, foram divididos em quinze Grupos de Trabalho, de acordo com os três eixos centrais delimitados na Plenária Inicial: Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres.

O objetivo dos Grupos de Trabalho (GTs) era formular propostas orientadoras de uma Política Nacional de Comunicação, e para garantir o debate todas foram votadas na Plenária Final. Cada GT teve, conforme foi decidido no primeiro dia, quatro propostas do empresariado, quatro propostas da sociedade civil e duas do poder público. Para ser escolhida, a proposta deveria ter maioria simples – e, em caso de aprovação superior a 80% ainda no GT, ela já seria sancionada automaticamente, sem precisar passar pela Plenária. Como relata Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação, algumas destas aprovações ‘por consenso’ chegam a surpreender, por serem pautas tradicionalmente rechaçadas pelo empresariado e mesmo por órgãos governamentais.

Por exemplo, foi aprovada a criação de um Conselho Nacional de Comunicação com funções de monitoramento e também de deliberação acerca das políticas públicas do setor. Também passou por consenso nos grupos uma proposta de divisão do espectro radioelétrico entre os sistemas público, privado e estatal numa proporção de 40-40-20.

Veja algumas das propostas aprovadas:

- Reconhecimento do direito humano à comunicação como direito fundamental na Constituição Federal.

- Criação do Conselho Nacional de Comunicação, bem como dos conselhos estaduais, distrital e municipais, que funcionem com instâncias de formulação, deliberação e monitoramento de políticas de comunicações no país. Conselhos serão formados com garantia de ampla participação de todos os setores.

- Instalação de ouvidorias e serviços de atendimento ao cidadão por todos os concessionários.

- Incentivo à criação e manutenção de observatórios de mídia dentro das universidades públicas.

- Criação de fundo público para financiamento da produção independente, educacional e cultural.

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Dessa forma, apesar de todos os esforços de setores menos progressistas em impedir a aprovação das propostas da sociedade civil e do poder público, e do boicote promovido pelos grandes meios de comunicação, no final das contas a Conferência foi realmente um passo importantíssimo para o Brasil. A tarefa, agora, é continuar as discussões e lutar para que as propostas aprovadas se efetivem de fato.

Até lá!


obs.: matéria produzida sob a belíssima luz da árvore de Natal da Esplanada. HAHA. amo você, (Tia)Guinho.





"[...] Certa vez ouvi uma célebre escritora afro-americana dizer que desde menina tinha sida uma estranha diante de sua família e da gente de seu lugar; este, ela acrescentou, é um sentimento comum a quase todos os escritores, mesmo os que nunca saíram de sua cidade natal. Aliás, assegurou, essa é uma condição inerente ao trabalho do escritor: sem o desassossego de sentir-se diferente, não haveria necessidade de escrever. No final das contas, o ato de escrever é uma tentativa de compreender as próprias circunstâncias e esclarecer a confusão da existência, inquietações que não atormentam as pessoas normais, mas somente os inconformistas crônicos, muitos dos quais se transformam em escritores depois de terem fracassado em outros ofícios. Essa teoria tirou um peso de minhas costas: não sou um monstro, há outros iguais a mim".

Estou lendo Isabel Allende. Começando a aproveitar as férias =) esse é um trecho bem do comecinho do livro em que ela ainda está fazendo uma auto descrição. Depois ela passa a falar do Chile de forma a deixar qualquer um morrendo de vontade de voar para lá hoje mesmo. Ler Isabel Allende é sempre um exercício encantador. Ela escreve maravilhosamente bem, as vezes extrapola na dramaticidade e no romantismo, confesso, mas consegue ser engraçada, crítica, saudosista e apenas descritiva em uma mesma página.

Quando eu crescer vou ser como ela (depois de ser como meu primo Guilherme e de desenvolver meu próprio processo cornual, claro). Acho que não tenho mais o que crescer. Droga. Quando vi a Sininho voando (pendurada em uma corda) até o castelo da Cinderela, lá na Disney, achei que fosse uma esperança.


OBS.: as imagens são do Valle del Elqui na próspera região do "norte pequeno" no Chile. É, segundo Isabel Allende, um dos centros espirituais da Terra, repleto de esoterismo e de magia. Lindo, não?!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Genial! Não me canso de falar isso. Assisti ao filme na segunda-feira de noite e ele me tirou o sono. Ando pensando em fazer uma continuação de "Chicas e Maletas" ou então um filme com o roteiro de vampiros do Diego e do Mateo. Assistam, galere. É ótimo. Só não se esqueçam: filmes devem ser continuados.

:*

domingo, 6 de dezembro de 2009

PIMENTA ROSA - O drama mexicano [4]

QUARTO EPISÓDIO:

Enquanto isso, lá fora, longe da pensão, Maria Mariana caminhava a passos largos para a Pimenta Rosa. Nascida e criada na cidade, era uma moça linda, de cabelos negros como carvão e olhos castanhos escuros como a noite mais bela. Temida e amada por todos os jovens da cidade, Maria Mariana não sabia se corria, para chegar em casa antes da chuva, ou entregava-se ao vento que soprava-lhe os cabelos velozmente e, por mais excêntrico que possa parecer, causava-lhe um agradável frio na espinha.

Emancipada há algum tempo, está anciosa para conhecer sua nova colega de quarto. Seu último camarada pensioneiro, Marcos Fernando, rapaz alto e magro, acabara de deixar a cidade para tentar a vida nos states. Melhor pra ele. Era uma pessoa solitária, de pouquíssimos amigos, ninguém entendia como conseguira passar tanto tempo com Maria.

Voltando à pensão, Thiago Theodoro já está terminando de arrumar as coisas em seu novo quarto. Não é um cômodo muito espaçoso, há apenas a cama, um pequeno armário e um criado-mudo. "Mas é melhor do que dividir um quarto maior com mais alguém" - pensa.

Enquanto decidia se colava os cartazes do Che Guevara ou da União Soviética (ou ambos, mas para isso precisaria mover o armário!), ele escutou os trovões ficando cada vez mais fortes. Uma garoa pesada estava lavando a cidade. Decide, então, deixar a arrumação para depois e tomar um banho de chuva para começar de fato sua vida nova.

A essa altura, Maria Mariana já está mais do que arrependida de ter escolhido demorar-se no trajeto - a tempestade estava muito forte e ela mal conseguia equilibrar-se de pé. As árvores sacudiam, os mendigos praguejavam sem piedade a fúria de São Pedro e os cachorros, como se pressentissem que algo estava por vir, não parávam de latir.

A menos de uma quadra do pensionato, ela não percebeu um paralelepípedo solto na calçada e tropeçou. Pronto. Com a visão embaçada, a cabeça girando como um redemoinho e o pé machucado, Mariana começa a ver a vida passar diante de seus olhos. Sua infância alegre, a bagunça que aprontava no colégio, os amores da adolescência... Vê, então, um vulto se aproximando e desmaia.

O que acontecerá com Maria Mariana? Onde estará Thiago Theodoro? O que estará fazendo Elis Regina?

Não percam essas e outras respostas no próximo capítulo de Pimenta Rosa. Até lá!

sábado, 5 de dezembro de 2009

PIMENTA ROSA - O drama mexicano [3]

TERCEIRO EPISÓDIO:

O caminho para o pensionato nunca lhe pareceu tão pequeno, pensou Elis Regina quando eles rapidamente chegaram ao Pimenta Rosa, um velho casarão rosa com janelas brancas, já não tão brancas assim. Alguns galhos de árvore mal-podados e um pouco de mato cobriam a entrada do lugar, e a pintura já descascando das paredes fazia aos que não conheciam o vilarejo pensar que o casarão estava abandonado. Corujas colocavam-se a posto, nas grades desregulares do enorme portão de ferro que anunciava aos visitantes o nome do lugar, aguardando para atacar o primeiro cachorrinho desavisado que aparecesse. Em letras douradas e em uma grande placa de bronze envelhecida, reluziam, esbeltas, as palavras “Pimenta Rosa”.

No quintal da casa prevalecia o cinza das estranhas estátuas de filósofos que eram mantidas ali há mais de século. Ao longe, havia um projeto de capela. Projeto por causa do tamanho, porque era realmente minúscula. Também porque diziam que de santo ou divino aquele espaço não tinha nada. Havia quem jurasse que vira almas de outro mundo dentro da capelinha. Só que isso fica para outro capítulo da nossa história. As luzes que começavam a se acender com o fim da tarde denunciavam a presença de vida lá dentro.

Apesar do aspecto misterioso e tenebroso que a luz fraca do anoitecer deixava no Pimenta Rosa, Thiago Teodoro se animou com a perspectiva de ter achado um lugar para ficar - aquela simpática desconhecida tinha aparecido em uma ótima hora.

Dona Amilanar era a dona do pensionato. Uma velha senhora, alta, pálida e extremamente magra, com um constante mau-humor e tendências para se meter, a todo custo, na vida de seus pensionistas e criticá-los sempre que surgisse qualquer oportunidade. Apesar de sua obsessão por incomodar seus hóspedes, ela era incrivelmente calada e nada se sabia sobre sua vida. Reza a lenda que quando moça ela apaixonara-se perdidamente por um viajante hippie que acampara na cidade por um período, dera-lhe esperanças, arrancara-lhe sua inocência e depois partiu, deixando em seu ventre o fruto desse amor de verão. Ninguém sabia, entretanto, o que tinha acontecido com o filho do casal.

Naquele entardecer, ao ouvir tocar o sino da campainha, Dona Amilanar desceu suavemente as escadarias negras que desembocavam na sala de estar da mansão e, em sua postura cuidadosamente ereta, abriu a porta para os visitantes. Elis Regina e Thiago Theodoro entraram, apressados e amedrontados com os trovões que indicavam que as nuvens, finalmente, tinham decidido desabar sobre San Diego.

Os vinte e um gatos espalhados pelo pensionato (Dona Amilanar era obcecada por gatos) apressavam-se em acomodar-se nos cantos estrategicamente mais quentes e confortáveis. Os relâmpagos iluminavam a cidade e acendiam diversos sentimentos no peito de cada morador do lugar.

Elis Regina achava que a chuva vinha para simbolizar a entrada em uma nova era de sua vida, ela acreditava piamente que tudo podia melhorar. Thiago Theodoro matutava sobre a natureza que, de forma peculiar, dava-lhe boas vindas e com os trovões indicava o ruído das mudanças.

Será?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PIMENTA ROSA - O drama mexicano [2]

SEGUNDO EPISÓDIO:
Havia calças, camisas, meias, cuecas, um livro de Marx, uma tese sobre Engels, uma revista de História com o título (em negrito e itálico) “Socialismo Utópico”, além de uma caneca de alumínio, Justificarum canivete e dois discos de vinil (um do A-ha e outro do Menudo). Tudo se encontrava, agora, espalhado na rua. Desajeitado, ele juntava as coisas, com pressa, mas sem perder a compostura. Ele nunca perdia a compostura. Seu ego era pura vaidade. Vazio nele só mesmo o coração. Não que ele não quisesse se apaixonar, ele só não conseguia achar a pessoa certa. A mulher perfeita.
Falando em mulher e em perfeição, do outro lado da rua, por entre os camelôs e as bancas dos hippies, uma moça tímida hesitava em decidir se ia ou não ia ajudá-lo. Elis Regina é seu nome. Seus olhos negros escondem-se por detrás dos seus óculos de lentes de garrafa, sua face esconde-se por detrás de seus longos cabelos encaracolados e sua beleza esconde-se por detrás de seu rosto sempre cabisbaixo.

Ela não acreditava em seus próprios instintos de sedução, desconfiava de que era rejeitada por todos os homens e tinha certeza de que era quase um patinho feio. A perfeição fica por minha conta, porque, apesar dela nem imaginar, quando ela resolvesse prender o cabelo em um coque bem no alto da cabeça, subir em um salto alto, ousar com um decote bem justinho e olhar para frente mostrando seu sorriso meigo e ao mesmo tempo divertido, as coisas iriam mudar. Obviamente, naquela ocasião ela nem imaginava que isso era concebível, muito menos que seria real em tão pouco tempo.
Inspirou com força, só para ter certeza de que tinha mesmo tomado coragem, e dirigiu-se ao lugar onde Thiago Theodoro estava estendido, na tentativa de recolher a caneca de alumínio que fora parar um pouco mais longe.
- Você precisa de ajuda? – Indagou Elis Regina, com uma voz quase inaudível e já se ajoelhando para catar três ou quatro pares de meias que estavam jogados aos seus pés.
Thiago Theodoro ergueu de leve a cabeça para encarar a companheira que surgira para demonstrar solidariedade.
- Claro! – Respondeu ele, meio atordoado. - Obrigada.
Os dois terminaram o serviço rapidamente, mas em silêncio. Ao final, Thiago Theodoro a agradeceu e estendeu-lhe a mão:
- Thiago Theodoro. Muito prazer! – sorriu animadamente.
- Elis Regina. – ela retribuiu o sorriso – Você não é daqui, é?
- Não, não. Acabei de chegar na cidade. Vim da capital, vou fazer Ciências Sociais na UniSDM (a título de esclarecimento: Univerdade de San Diego do México).
- Parabéns! Eu leciono lá perto. Na Escola Primária São José, dou aula para as crianças do quinto ano.
- Ah! Deve ser bom. E você mora perto do centro?
- Não, moro em um Pensionato. Fica um pouco longe, seis ou sete quadras da Praça da Igreja. É um pouco rígido, mas veio a calhar para mim. Mudei-me há pouco tempo, minha profissão não paga tão bem assim...
- Entendo. – ele pareceu apreensivo, mas, logo, demonstrou outra vez sua animação – Preciso arrumar um lugar para morar. Será que tem lugar para um jovem universitário desabrigado no seu pensionato?
- É provável. Se quiser me acompanhar até lá, fique a vontade.
Ela conversava com ele e refletia, paralelamente, que nunca tinha falado tanto e tão espontaneamente com alguém. Sentia-se feliz. Seria bom um novo amigo, ainda mais se fosse por perto.
E agora? O que será que vai acontecer com Elis Regina e Thiago Theodoro? Será que eles se tornarão grandes amigos? Será que pintará um clima de romance? Thiago Theodoro conseguirá um espaço na Pimenta Rosa? Não percam o próximo episódio do nosso
drama mexicano.


Haha. Pitéis. Está só no começo, ein?!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PIMENTA ROSA - O drama mexicano

PIMENTA ROSA

- O drama mexicano

PRIMEIRO EPISÓDIO:

Nossa história começa em um dia nublado, as nuvens no céu uniam-se ruidosamente anunciando o temporal que viria. A pequena cidade de San Diego do México é modesta, suas enormes montanhas cobrem-na e a escondem, fazendo dela uma espécie de buraco, esquecida em meio a todo aquele verde exótico, misturado a sua luz tênue, quase sempre azulada, sugerindo uma sensação desconfortável de nostalgia.

Colocar os pés pela primeira vez naquele lugarzinho desvinculado do restante do mundo causava-lhe, talvez, medo, mas creio que, antes de tudo, uma explosão de alegria. Era a liberdade. E a liberdade é mesmo essa linha irregular e quase invisível entre o temor e a felicidade. Thiago Theodoro era um rapaz robusto, de cabelos louros, seus cachinhos rebeldes caiam-lhe pela testa, seus olhos verdes (quase amarelados) lembravam o olhar ameaçador de um gato selvagem, mas de selvagem ou de ameaçador ele não tinha nada.

Era dócil, extrovertido e sempre amigável com todos. Os vizinhos o adoravam, os amigos sentiam sua falta, as namoradas choravam pelos cantos com a sua partida. Mas agora era tarde, tudo ficará no passado, ele acabara de entrar (com o pé direito, é claro) em San Diego.

Passara no vestibular como quinto colocado para Ciências Sociais. Era seu sonho, era um caminho para mudar o mundo, acabar com a pobreza, desbancar as sanguessugas capitalistas, derrubar o sistema, quem sabe até implantar o comunismo. Uma nova sociedade à vista. Só que ninguém sabia dos seus planos. Ainda não. Aquele era o seu momento de mostrar aos companheiros interessados em fazer a diferença, em revolucionar, que já era hora, que ele chegara para coordenar o caminho em direção as mudanças.

Foi sonhando com o novo mundo que, depois de por o pé direito na cidade, ele pôs o esquerdo exatamente em um buraco, bem no meio da rua. Thiago Theodoro tropeçou, desfez-se, sentiu a face enrubescer enquanto ouvia as gargalhadas do outro lado da rua. Sua enorme mochila de viajante abriu-se, deixando seus pertences caírem no chão de paralelepípedos.


have fun, galera! Novela mexicana que eu, a Elis e o Thiaguinho estamos fazendo =) haha