domingo, 28 de março de 2010



O pessoal do Greenpeace jamais mandou o e-mail com o cadastro para ser voluntário, mas como eu ainda tento tomar coragem para o web ativismo resolvi postar esse vídeo aqui. Porque sério, ele é brilhante e repercutiu bem mundo à fora. Tirem suas próprias conclusões e pesquisem, vale a pena. Não pesquisarei porque estou com muito sono, doente e ressabiada de festas ruins (Calourada foi completamente fail). Voltarei ao meu romance inglês (acredito eu) A Mulher do Tenente Francês. Amanhã rolará a festa na casa da minha prima - edição "UhuL! Casa vazia. Partiu aproveitar". E também um provável encontro com o moço do Varjão que vai fazer uma espécie de associação com Comunicação Comunitária) pela segunda vez, vamos ajudá-lo a gravar e editar vídeos para que a galera de lá possa contar um pouquinho da realidade do lugar. Deve ser interessante. Só que antes de tudo vocês merecem um relato das desventuras de sábado a noite. Portanto, aguardem... haha

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões" - Walt Whitman



Tem uma cena do filme "How to Deal" em que a personagem principal está saindo do velório do namorado da melhor amiga e a chuva desaba para representar uma daquelas tradicionais lavagens da alma.
Para completar, a trilha sonora é "Do you realize?". Do you realize that you have the most beautiful face? Pois é. A moça está no meio de uma multidão, deslocada, e, de repente, tudo parece fazer sentido. Hoje não choveu aqui. Não muito. As coisas também não pareceram fazer sentido, não externamente. Apenas pesquei, sem o menor propósito, a frase a cima na minha memória e notei que ela se encaixa como uma luva no meu momento. Talvez em mim como um todo, sempre. Pode ser que não seja bem uma multidão também, quem sabe sejam somente duas. Se bem que eu, sendo uma só, já dou trabalho, quanto mais multiplicada por dois. Porque se uma quer, a outra, que já havia querido, resolve desquerer. Se uma gosta a outra insiste em desgostar. É como uma balança, dois pesos e duas medidas. Só que uma balança que nunca encontra o equilíbrio. Não possuo equilíbrio. Aliás, sou a fórmula do desequilíbrio total. Balanço, ora com o vento, ora com a estagnação. Vivo caindo, de tão irregular. Ou até mesmo de tão regular. O fato é que caio, sem dó nem dor. Me esborracho, pequena e indiferente, em um chão bem duro. Aí vem a outra versão de mim, estende a mão, piedosa, e eu levanto mais uma vez para repetir o ciclo completamente viciado. É um vício dividir-me em duas. É um vício ainda maior me perder e, lá pelas tantas, voltar atrás, não saber o que fazer e acabar por desfazer o que já se tinha feito. É um erro insistir. O certo é que, hora sim, hora não, vou me arrepender. Nesse momento vou precisar da ajuda de mim mesma para trazer de volta um eu desarrependido. Eu me contradigo? Pois bem, eu me contradigo...


terça-feira, 23 de março de 2010

As cartas que eu não mando.


Que dia esperado para um paralelo com a música. Pois é, não é Rio de Janeiro. Mas é Brasília, e é 23 do 3. Março se esvai por entre os poros de nossas vidas cansadas despreocupadamente. No começo do ano nunca lembramos do quanto o tempo passa rápido. Os dias são lentos, os anos voam. Paralelamente, mil fatos vão se passando com o mundo: a quantidade de gente que morre por causa de água poluída é maior do que o número de pessoas que morrem por causa da violência, a aids em Moçambique continua deixando milhares de crianças orfãs, as taxas de juros caem no Brasil, Obama continua as voltas com a tão desejada reforma no sistema de saúde americano, os temporais assustam gente na Austrália e gente em Jaguari e Santiago, a UnB mantém a greve, o DCE se revolta com um professor americano que ainda está dando aula de cálculo na universidade e as aulas de Comunicação Comunitária permanecem fazendo plantão aos sábados de manhã. Apesar da sua imensidão, hoje o mundo parece suficientemente pequeno a ponto de eu me identificar com cada notícia no jornal. O Jornal Nacional, por exemplo, mostra agora uma matéria que trata da mal que o colesterol ruim (LDL) faz ao organismos. Ele está em carnes gordurosas, doces e... Doces! Tcharãn. Então surge o Obama anunciando a "nova era" por ter sancionado a reforma da saúde. O som toca Beatles, animadamente. Mesmo sendo 23 do 3, não faz muito tempo que eu me perdi de alguém, não tempo o bastante ou com a intensidade necessária para eu querer escrever cartas contando meus feitos e meus defeitos todos os meses. Somente me arrependo de estar em casa lendo Eclipse ou perdendo meu tempo com saudosismos, enquanto a vida passa aqui do lado. Passa na UnB, passa na Esplanada, passa no trânsito, passa nas escolas. E essa greve parece não acabar. Olha, é ano de eleição. De repente começa "I`m a loser", em seu ritmo ironicamente alegre. Eu me lembro da feição indignada do Matheus criticando a música e ao mesmo tempo me pergunto, desanimada, acompanhando a letra da canção: what have I done to deserve such a fate? Esperamos a greve acabar, esperamos as tormentas passarem, esperamos os juros caírem mais, esperamos não só que a saúde nos EUA melhora, mas que a saúde em todo o planeta melhore, esperamos que o tempo passe, esperamos. Esperamos. Esperamos parados?


p.s.: agora ao som de Pedra Letícia xD

sexta-feira, 19 de março de 2010

PIMENTA ROSA - O drama mexicano [7]

SÉTIMO EPISÓDIO:

Thiago Theodoro debruçou-se sobre os livros, já com água na boca. Queria estar a par de toda a lista pré-disponibilizada pela universidade, ousava pretender ser o melhor e chegar sabendo antecipadamente, de cabo a rabo, tudo que o material do semestre tinha para lhe oferecer. Ele adorava ser o melhor.

“Depois, quando a Revolução foi consolidando-se, e pudemos então estabelecer as novas tarefas que se vêem no horizonte, o companheiro Fidel sugeriu a mudança de nome desta organização. Uma mudança de nome que é toda uma expressão de princípios. A União de Jovens Comunistas está diretamente orientada para o futuro. Está articulada com vistas ao futuro luminoso da sociedade socialista, depois de percorrer o caminho difícil em que estamos agora, que é a construção de uma nova sociedade no caminho da consolidação total da ditadura de classe, expressa através da sociedade socialista, para alcançar finalmente a sociedade sem classes, a sociedade perfeita, sociedade que vocês serão os encarregados de construir, de orientar e de dirigir no futuro!”.

Thiago suspirou, admirado, aquela era sua maior paixão: o desejo por mudar o mundo, por tirar a humanidade da escuridão e levar todos a um mundo diferente, um mundo melhor. Ele queria clarear a mente de seus companheiros. Estava compenetrado demais nas obras que tratavam da vida e dos feitos de comunistas famosos e nem se quer se deu por conta de que alguém batia a porta. Levantou-se em um sobressalto ao escutar passos dentro de seu quarto.
Era Maria Mariana, ela entrara e falava animadamente, quando, de repente, se tocou de que havia invadido a casa do amigo sem nem avisá-lo. Ele a observava, atrapalhado. Ela sentiu-se constrangida.
- Estava passando aqui e pensei em te convidar para ir até a cachoeira. – disse, tentando encontrar uma explicativa plausível para a invasão – Desculpe-me.
- Cachoeira? Claro. Eu adoraria – respondeu Theodoro, conciliador.
- Vista-se rápido então. Vamos esperar você lá no térreo. Depressa.
Dez minutos depois, Maria Mariana, Thiago Theodoro e um grupo de amigos, também pensionistas, dirigiam-se alegremente para a trilha da cachoeira. Miranda era uma moça de cabelos vermelhos, estatura mediana, aparentemente, calada e recatada. Mas suas vestimentas entregavam de imediato o quanto as aparências enganam. Quando se punha a falar mostrava seu enorme potencial, era conhecedora de tudo, pelo menos um pouco, e aquilo que conhecia totalmente, não se enganem, ela não deixava de saber e de informar um milímetro se quer sobre o tal assunto.
Cassimiro era jovial, Penélope era sutilmente perspicaz, Santinha era espontânea e espevitada, Romeno era crítico, audacioso e, como todo bom crítico e absoluto de si mesmo que se preze, era também muito cabeça dura. Andavam conversando, animadamente, despreocupados com tudo mais que não viesse ao caso ali, em seu tão diversificado diálogo de verão.
Nesse ritmo distraído, Maria Mariana, já conhecida por ser estabanada, deixou cair o lenço de seda que delicadamente acomodara no braço esquerdo, servindo de enfeite, alguns passos atrás e só dera-se por conta naquele instante.
- Ora essa! Deixei cair o lenço de seda, foi presente de minha avó. Não vou me demorar em reencontrá-lo, deve estar logo ali atrás. – Dizia isso já dando meia volta.
Seu jeito de correr era desengonçado, balançava as mãos levemente na altura entre os seis e o ventre e punha os pés um a frente do outro ruidosamente. Não demorou muito até que o avistasse lá longe, amarelo como o sol. Suspirou aliviada e correu mais depressa. O lenço estava estendido sob uma sombra amena, Mariana até sentiu-se tentada a parar um instante. Pegou o lenço com pressa e tentou reorganizá-lo em sua antiga posição para que pudesse descansar um instante debaixo da convidativa árvore. Não pode fazê-lo, porém, pois, escondida por entre as dobras do lenço, lá estava ela: uma peçonhenta aranha marrom.
As aranhas marrons, em sua natureza, são animais inofensivos, até que os incomodem. Maria Mariana, no caso, incomodou a aranha que se acomodara de maneira tão aconchegante no lenço amarelo, já que apertou o bichinho contra seu próprio braço. A aranha, como era de se esperar, não pensou duas vezes e soltou todo o seu veneno. Isso, porém, não foi problema para a moça. Ela encarou o animal com desprezo e detectou que fora picada, mas a picada era minúscula e nem sequer doía. Deu um tapa tão forte que a pobre aranha voou para bem longe. E depois completou a volta inteira, dando a segunda meia volta, desta vez para retornar a companhia dos amigos.
Os amigos já estavam na cachoeira. Maria Mariana chegou apressada e tirou a blusa e o jeans surrado na ânsia de pular na água. Lá de dentro, Thiago Theodoro viu a cena e despertou para a beleza da amiga. Quer dizer, ele havia reparado antes no seu rosto angelical e no seu sorriso docemente sedutor. Mas não tivera até então a oportunidade de deparar-se com as curvas que pareciam distraidamente bem determinadas do seu corpo e com seu jeito de tirar a blusa e o jeans surrado tão direta e espantosamente atraente.
Ele teve de se recompor ao ouvir os gritos espevitadamente alegres de Santinha:
- Ei, ei! Vocês viram o que saiu no jornal? Sabem quem está na cidade? Marie Moraes: a cantora de música romântica!
- Ah, fiquei sabendo. – Expressou-se Maria Mariana, desanimada com o assunto e preocupada em procurar pedras no chão para não entrar de vez na água gelada.
- Sou fã do trabalho dela! Acho suas músicas incríveis, a composição é tão simples mas tão tocante. – Era Cassimiro, defendendo o gosto de Santinha.
- Acho simplesmente medíocre. – Acrescentou Romeno, erguendo uma das sobrancelhas para certificar aos demais que desprezava o assunto e a própria Marie Moraes.
- O fato é que, para quem gosta, haverá uma apresentação dela hoje, as 19 horas, na praça central. Quem vai comigo?
- Não gosto tanto, mas também não desgosto totalmente, Santinha. Posso te acompanhar. Aliás, acho que podíamos ir todos, não? Podemos apresentar a cidade devidamente para Thiago Theodoro.
- Quem sabe?! – Disse Romeno, mudando de assunto imediatamente, para não correr o risco de cair no tédio com maiores observações sobre o trabalho de Marie Moraes.


Naquela tarde, brincaram e se divertiram na cachoeira como velhos amigos de infância, todos eles. Aquele clima de cidade pequena fazia com que Thiago Theodoro se sentisse em casa, era como se ele já conhecesse, previamente, não só Maria Mariana, mas também cada cantinho de San Diego. Ele sabia onde virar para chegar à padaria e quantas ruas descer para ir até o clube. Maria Mariana ainda pensava em sua própria existência e esperava, sem saber que estava esperando, aqueles segundos que viriam para mudar sua vida. Os demais idealizavam a noite, o show, os dias de aula, a universidade e tempos surpreendentemente melhores. O que será que os aguardava ainda naquele entardecer? Thiago Theodoro e Maria Mariana descobririam que sua relação poderia ir além da amizade? E Elis Regina, o que estaria fazendo? Quem seria aquela misteriosa cantora? Acompanhem tudo isso e mais no próximo episódio de Pimenta Rosa – O drama mexicano!


quarta-feira, 17 de março de 2010

Sobre as eleições 2010

Fonte: www.tudoemfoco.com.br

Ainda faltam alguns meses para as eleições 2010 e para os brasileiros definirem quais serão os novos Deputados Estaduais e Federais, Senadores, Governadores e Presidente da República. Mesmo assim, o debate sobre as eleições 2010 estão a todo o vapor, principalmente no que diz respeito à sucessão presidencial.

Oposição

Para o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição só está pensando nas eleições. Segundo ele, a sede de voltar ao poder é tanta que há muito tempo os opositores já arquitetam a retomada do cargo majoritário do Brasil.

Várias discussões já começaram sobre o novo processo eleitoral, entre elas sobre como será a regulamentação das eleições 2010 pela internet, sobre quais serão os candidatos e as pesquisas de opinião pululam por todos os lugares.

Sobre a regulamentação da campanha na internet, ficou liberado para que os internautas possam expressar suas opiniões livremente em blogs, sites de relacionamento e de mensagens instantâneas. Para os candidatos, a internet fica liberada para divulgação de projetos. Já os sites que são mantidos por empresas de comunicação precisam obedecer às regras das eleições da TV e do rádio.

Candidata do PT

Está quase certo que o PT colocará Dilma Roussef como candidata para substituir Lula na presidência. Apesar de essa não ser a versão oficial do partido, isso está sendo avaliado há meses pelos analistas políticos e Lula, que, apesar de tentar, não consegue convencer ninguém de que isso não acontecerá. A Ministra-chefe da Casa Cívil pode se tornar a primeira mulher a governar o Brasil. Mas a disputa não vai ser fácil.

Candidatos da oposição

A oposição, representada por PSDB e DEM, ainda não tem candidato fixo para as eleições. Espera-se que o PSDB lance candidato à presidência e que o DEM siga como vice. Essa atitude aumenta a força dos partidos e da própria oposição.

Dentre os possíveis candidatos do PSDB à presidência nas eleições 2010, estão José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). O candidato mineiro tem força naquele estado e é figura consistente dentro do partido. O problema é que o Brasil de uma maneira geral ainda não o conhece. Nesse ponto, sai na frente José Serra. Ele já disputou campanha presidencial, perdendo para Lula. Mas isso ajudou e fez com que ele fosse conhecido por todo o país. E nas pesquisas de opinião, Serra sai bem na frente de Aécio.

Outros partidos menores prometem lançar candidatos. O Partido Verde contou, recentemente, com uma nova integrante para reforçar a sua base política. Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, saiu do PT e foi para o PV. E este partido está prometendo lançá-la como candidata à presidência.


Ois =) [01:01, só pra registrar],

Pois é, vamos começar a falar de eleições então. Porque já está uma confusão e ainda estamos no mês de março. A proposta é apresentar os possíveis candidatos e pré-candidatos, um por um. Isso foi uma prévia, o post é do primeiro semestre de 2009 ainda e a Dilma e a Marina já são pré-candidatas de verdade. Ainda está rolando a confusão entre o Serra e o Aécio. Segundo a Fátima no Jornal Nacional (edição de ontem - 17/03), o Ciro Gomes quer se candidatar mas ainda não conseguiu um apoio forte por parte do partido. A confusão rola solta sim. Ainda mais que saiu a última pesquisa do Ibope, em que a Dima subiu em intenções de voto de 17% para 30%. Agora ela está distante apenas 5% de Serra. Porém, dizem as más línguas que o Serra afirma que abrirá mão da candidatura. Já pensou? O Lula falou em uma entrevista na semana passada que independente de seu sucessor, o país não voltará a ser a bagunça econômica que era antes. Somos, atualmente, um país estável. Mas acho que pelo menos essas eleições vão sacudir (e muito!) o Brasil.


beijos e queijos, bonitos :*


terça-feira, 9 de março de 2010


Segundo dia de aula e a UnB, enfim, entra na tão falada greve "de verdade". Dizem por aí que ficaremos dessa vez um bom tempo sem aula. Pelo menos nem deu tempo de sair do embalo das férias, não é? Tomara que os professores finalmente consigam organizar a URP, a adesão a greve está sendo altíssima, inclusive por parte dos alunos. Fora a UnB, os dias continuam todos iguais. Falando nisso, essa era minha sorte do orkut hoje [haha]: "os dias são longos, mas os anos são curtos". Ain, gente, é a mais pura verdade. Continuo procurando estágio, a auto escola vai aos trancos e barrancos (meu monitor é o que existe de enrolado), as aulas estavam ótimas (obrigada!), os ônibus não deixaram de ser lotados, muito pelo contrário, o campus volta a ficar cheio pois ninguém teve a oportunidade de desistir ainda, Brasília permanece com seu desesperador clima desértico. E quando o ano estiver acabando eu vou fazer aquela típica recapitulação só para não deixar morrer meu espírito saudosista e vou pensar "Nossa! Passou voando :O". É que o monótono voa mesmo. Por isso vale muito a pena inventar. Inventar graça, inventar dúvidas, inventar obstáculos, inventar amores e amizades, inventar maneiras. Meu interessantíssimo professor uruguaio trouxe a nós hoje uma sabia frase de Kafka que refere-se a livros, mas pode-se aplicar também aos demais momentos da vida. É assim: "... se o livro que lemos não nos acorda com um murro no crânio, para quê lê-lo?". Então, se a vida que vivemos nos permite adormecer, sem socos no estômago, sem nem mesmo fazer cócegas, qual é o sentido dela?

P.S.: A foto do esquilo foi sim completamente aleatória, mas só pela descontração. Hahuahuauaahua.


Alguém para andar de bicicleta? :)

domingo, 7 de março de 2010

Vizinhança


Ele tinha apenas oito anos de idade. Acho que há momentos na vida de todas as pessoas em que a única saída é mesmo acabar. E, como se fosse uma passagem, como se fosse a maneira mais eficaz de aliviar, ele quis cair. Podia mergulhar. Seria, provavelmente, a maior e mais bem sucedida estrada percorrida por ele até então no mais curto prazo de tempo. Seria possível penetrar naquelas vidas, sem exceção, uma por uma, acompanhar suas ascensões e suas depressões. Era a forma mais pura de desvendar as pessoas. Era também o meio menos doloroso de chocar-se com elas. Chocando-se com o chão. Mas ele tinha apenas oito anos de idade. Eu, no lugar dele, preferi desde sempre cortar o mal pela raiz. Eu acharia mais justo e menos incomodo minha mãe ter acatado as ordens de minha tia ainda no início da gravidez e porto logo um fim na história. Acredito que ele não teve essa opção. Nem eu. O fato é que ele olhou e já estava certo de que a queda o levaria se não ao céu, ao menos a paz. Lembrando que ele tinha apenas oito anos de idade. Décimo sétimo andar: a família que fingia que tudo estava bem do jeito que estava. Cientes de que o mundo é injusto mesmo e iludindo-se com a afirmação de que isso não tem conserto. Décimo quarto andar: um casal; o emprego pagava bem, mas se trabalhar fosse bom ninguém se aposentava. Ser feliz era o de menos. Décimo segundo andar; o pai dizia sempre que a família vinha em primeiro lugar. Faltava apenas rever o conceito de família. Décimo andar: a velha senhora, viúva, desolada, farta da vida, sem coragem para nada. Ela nunca tivera coragem para nada mesmo. Agora, além disso, faltava-lhe, igualmente, a força. Não que ela tenha sido muito forte alguma vez, só que a fraqueza física havia, finalmente, se equiparado a fraqueza de espírito. Sexo andar: a farsa! A mãe ideal, o pai liberal, o filho perfeito, a filha exemplar e o cachorro mais esperto do mundo. Estampavam suas imagens na vitrine para todos, exceto para suas respectivas consciências. Devia doer ter que segurar aquela máscara. Segundo andar: eu. Eu sabia que ele precisava de mim, mas seu egoísmo me sufocava. Afinal, como ele mesmo observou (e ele não foi o único), eu também preciso de ajuda, talvez mais do que ele. Como eu queria estar em seu lugar, com apenas oito anos de idade e a convicção de que pular... Simplesmente pular. Se eu fosse ele, ou então se eu fosse a moça do segundo andar no momento da queda que não aconteceu. Eu não sou ela. E ele não tem mais apenas oito anos de idade. Nossos caminhos já se esbarraram em saltos distintos que, por segundos, coincidiram. Os segundos equivalentes aos da ação de cair. Ele, assim como a senhora viúva, teve medo. Ou então, teve azar. Conclusão similar a que a velhinha do décimo andar tirou de sua própria existência. E eu? Eu vou uma, duas, três, décadas além daquela que lhe inspirou confiança no impacto. Não sei onde ficou meu medo nem minha coragem. Deve ter ficado parado no tempo, no instante em que minha mãe disse para minha tia “Não vou!” e eu para sempre me arrependi.




Considerações: Gostei desse ursinho perdido, acho que ele representa um pouco as personagens, presas, deparando-se com a tempestade através de um vidro. As vezes eu me sinto tão desamparada quanto eles (não hoje, que se observe =P), por isso escrevi o texto. Sim, houve inspiração, mas nós sempre lemos as pessoas da forma que melhor nos convém e, no final de tudo, nos decepcionamos com nossa própria criação. Sem perder as esperanças =) há também quem supere as expectativas e nos surpreenda. Não foi dessa vez.