Em abril de 2009, há exatamente um ano, os brasilienses estavam em polvorosa com os preparativos para o aniversário de meio século da capital. Contadores eletrônicos espalhados pelos principais pontos da cidade calculavam regressivamente os dias como uma ampulheta que deixa o tempo transcorrer lentamente por um minúsculo buraco. Mas hoje, passado um ano, a conclusão é de que o tempo não se esvaiu assim tão devagar. Esperava-se uma Brasília de cara nova, a proposta do Governo do Distrito Federal de engajar-se em cinqüenta obras para comemorar os 50 anos da cidade criou a expectativa de que a capital federal estaria mocinha para fazer anos em 2010.
Só que não foi dessa forma que tudo caminhou. Infelizes trapalhadas do destino, do clima e, claro, dos governantes, resultaram em um quadro completamente diferente do desejado faltando apenas duas semanas para a tão aguardada festa. Tudo se agravou de maneira irremediável ontem, quando a Controladoria Geral da União (CGU) apontou publicamente indícios de grandes desvios de dinheiro pelo GDF (acredita-se que foram desviados cerca de 100 milhões de reais). Além de irregularidades no setor responsável pelas obras, foram descobertas irregularidades também na área da saúde e da educação. Resultado: a verba para as reformas foi cortada (justo agora!).
Contudo, excetuando-se os contratempos e as sem-vergonhices, a proposta inicial era merecedora de admiração e tinha potencial para ser bem sucedida. O arquiteto Jaime Lerner e sua equipe levaram ao Palácio do Buriti, ainda em 2007, os Projetos Urbanos Estratégicos: Brasília 50 anos, devidamente aprovados pelo então governador José Roberto Arruda e em seguida postos
Do enorme leque de cinqüenta obras, pode-se listar algumas que ganharam maior visibilidade, como as reformas na Torre de TV, no Planetário, no trecho de ligação da L4 e da W4 Sul, na Catedral ou a construção da Fonte Luminosa, da Torre de TV Digital no Colorado, do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), da Calçada Athos Bulcão no Bosque das Constituintes e também a pintura da fachada do Congresso Nacional. No final do mês de janeiro, Jaime Alarcão, Secretário de obras do Distrito Federal, afirmou em entrevista para o jornal Correio Braziliense que as obras para a comemoração do aniversário da cidade já andavam para o processo de encerramento, estando de
Nem mesmo as programações culturais conseguiram escapar da onda de azar do GDF. Grandes nomes da música internacional, como Madonna e Paul McCartney, viriam prestigiar a festa da capital e fazer apresentações na Esplanada dos Ministérios. Mas após serem informados dos escândalos de corrupção abriram mão do trabalho, a fim de evitar envolvimento com um governo corrupto. Restou ao público contentar-se com os tradicionais shows de bandas nacionais. Vão marcar presença no palco principal os grupos NX Zero e Paralamas do Sucesso, assim como os artistas Luan Santana e Daniela Mercury e a dupla de cantores sertanejos Bruno e Marrone.
Como disse o Secretário de Cultura do Distrito Federal, Silvestre Gorgulho, na reunião no Museu da República para a divulgação da programação oficial do cinqüentenário da capital, “quis o destino que a festa dos 50 anos desta cidade, símbolo de vitória, da interiorização da economia, da magnitude de receber brasileiros dos quatro cantos, fosse num momento difícil para a cidade”. Nós, moradores da tão difamada capital do país, esperamos, sinceramente, que nenhuma outra desgraça recaia sobre as tão aguardadas festividades. Por falar nisso, será que até dia 21 de abril as chuvas catastróficas que estão fazendo o planalto central virar um mar já vão ter parado?
0 comentários:
Postar um comentário