domingo, 11 de abril de 2010

Apenas vá. E ninguém precisa saber (nem sentir)

"Você fica. Ocê vai. Cê não volta nunca mais."







A frase foi citada por um professor de português no terceiro ano. Achava que era do Saramago, mas não consegui encontrar referências na internet (confesso, também não me empenhei tanto assim na procura). O importante é que ela se encaixa ao texto desinteressado que eu fiz, misturando histórias clichês do cotidiano, com alguns fatos reais da minha vida e também da vida alheia. É para mostrar um pouquinho do romantismo quase inexistente nos últimos postes e nos últimos meses. Mas não nas últimas atitudes! Aproveito para dar parabéns ao senhor excelentíssimo Altair Meirelles, mesmo sabendo que ele nunca vai ler isso. hahaha. O aniversário dele foi ontem, dia 11, o texto também foi escrito ontem, por falar nisso (no domingo, como ele mesmo se entrega no decorrer das linhas). Tatázinho, ainda que com muito rancor no coração, Je te kiffe. Pelo menos por hoje e neste momento. Aos demais, uma boa noite e divirtam-se.


beijinhos e queijinhos =)




Vá! Mas deixe que eu caminhe em paz na sexta-feira à noite, rua à fora, mundo à dentro, só para fingir que não estou sozinha. Tome distância. Mas permita que eu me aproxime da nossa velha esquina e que eu olhe para o banco da praça como se fosse um velho conhecido. Releve a minha indiscreta audácia de passar pelo bar com os olhos a te procurar e o coração firme, seguro nas duas mãos. Também não se importe se eu entrar em casa já sentindo o vazio dos restos da tua presença. Não se assuste se eu me deparar com o espelho e enxergar no fundo de meus próprios olhos a escuridão das palavras finais. Siga em frente. Permita que as mãos se espalmem, que os pés se virem, que os corações se partam e que as vivências morram, tudo em vão. Faça com que a nossa foto, com que os nossos sonhos e todos os planos se debulhem no vale de lágrimas que você deixou. Depressa! Carregue na mala a calça rasgada, a carta não lida, o esquecimento. Finja que aquela música já não serve mais, que o sorriso não é mais o mesmo e que o amor, enfim, desfaleceu. Quando der, sinta o frio batendo à porta e lembre, bem casualmente, de buscar o cobertor. Então venha. Volte para falar do tempo, para descontrair. Mostre uma ponta de interesse contra outras dez de muita indiferença. Fique. Para lembrar da noite, para comentar do dia, para me fazer sorrir. Depois, prolongue-se. Demonstre a sua empolgação, simule estar me escutando. Cale. Levante. Caminhe. Me abrace. Está frio. Atente-se para a chance de mudar a história. O pijama, o livro, a garrafa, o filme. Vá. Vá, mas deixe a porta aberta para que eu respire, deixe seus passos marcados para que os siga, deixe que eu apague a luz quando quiser ir embora. Deixe também um gesto amigo, mesmo que distante. Vá pelo elevador, eu desço pela escada. Deixe que eu caminhe em paz também no domingo, noite à fora, mundo à dentro.


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