quarta-feira, 7 de abril de 2010


Finalmente um dia de sol em Brasília. Mais que isso! É um daqueles belíssimos dias de sol que inflam o corpo, dos pés à cabeça, de uma quase incomoda, porém, satisfatória sensação de nostalgia. Ora, vejam só, a tarde ensolarada de hoje trouxe à tona o vazio querendo ser preenchido das antigas tardes de outrora no gramado verde e extenso do Sigma, dos brigadeiros gelados no sofá preto e confortável da casa do Lucas, do banco de ônibus compartilhado com a Luana seguido de cliques aleatórios na câmera digital, das fugas indiscretas do cursinho em dias iguais a esse, em que estudar parecia ser para os cegos ou para os loucos (o verde das árvores da Asa Sul indo de encontro com o bem falado céu da capital era muito mais irresistível). Não sou a pessoa mais indicada para elogiar Brasília, até porque é algo que eu pouco faço. Mas na próxima vez em que meu amigo Saco me perguntar o que há de bom por aqui, excluindo, é claro, as tão exaltadas obras arquitetônicas, acredito que vou responder: um dia de sol com o céu azul bebê e algumas poucas nuvens dispersas aqui e ali. E ele vai retrucar mais uma vez, "mas aqui eu tenho o mar, eu tenho o Corcovado!". Enquanto eu vou me calar e apenas aguardar mais um dia desses, pois não há como explicar, há apenas como sentir. Deve ser a magia do mês de abril, com seu ar outonal e sua lua capaz de fazer qualquer ser já loucamente apaixonado se apaixonar mais ainda. Sim, a lua de abril é a mesma em todos os lugares. Mas este ar que precede o inverno brasiliense e nos faz querer aproveitar não só o dia, mas a vida, esse sim é raro. Aaah, que saudade de correr por entre as enormes palmeiras postas atrás do Congresso Nacional e depois me atirar no gramado na companhia da Moema e do Alexandre! Deixando de lado todo e qualquer passado, um dia que seria facilmente enquadrado por Renoir em sua teoria de que já há muitas coisas ruins no mundo, por isso o trabalho do artista é pintar o belo, me espera bem ali, da porta para fora.

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