No desenho do Mágico de Oz que eu assistia quando criança, assim como no original, o grande mágico oferece à Dorothy um balão de ar quente para que ela possa voltar para casa. Ela, infelizmente, perde a carona, por causa de uma imprevista fuga do Totó. Então ficamos todos, nós, espectadores, e ela, a personagem, apenas na vontade de subir naquele balão e voar, voar, simplesmente voar e ver o mundo de uma nova perspectiva. Até hoje ainda não subi em um balão de ar quente. Já vi um bem de pertinho, na ocasião em que o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) fazia uma exposição e levou ao público um deles. Era enorme, bem colorido e provocava imensas filas, tudo para experimentar a sensação de subir um pouquinho no objeto de histórias encantadas. Claro que ele não saia para dar voltas por Brasília. Não! Seria muita pretensão. Havia uma corda, acredito que de uns quatro ou cinco metros de altura, que segurava o meio de transporte e também os seus passageiros. Eu não me aventurei por um simples erro de desinformação misturado com falta de organização: fui até lá no último dia da instalação do balão e quase na hora do encerramento da atividade.
Permanece, contudo, o desejo de voar em um deles, para o sul, no inverno, assim como os pássaros (ó! Que poética. Haha). Segundo nossa grande parceira de dúvidas e pesquisas, Wikipédia, balões são invenções cujo princípio se baseia em transportar pessoas e utensílios a partir de uma lona que protege uma determinada quantidade de ar (através de uma chama controlada) ou outra substância ainda mais leve que o ar. Lembro, ainda, que uma cesta acompanha a lona, com a intenção de acomodar as devidas cargas. O balão de ar quente flutua por meio da técnica de aquecimento do ar em temperatura ambiente. Eles são, atualmente, os tipos mais comuns de balões.

Os balões de ar quente não exigem muita tecnologia. Afinal, eles foram as primeiras máquinas de voar que o homem produziu e, para tanto, foi preciso, essencialmente, muito empenho em princípios científicos básicos. Primeiro, retomando as lições de física e de química, consideremos que o ar mais quente sobe mais que o ar frio. Logo, o ar quente é mais leve que o ar frio. Mas isso é algo simplesmente lógico. Agora lembremos que densidade é massa sobre volume (e eu não sei como lembrei disso!) e que, portanto, o ar quente tem menos massa por volume do que o ar frio. É justamente por isso que os balões de ar quente são tão grandes. Para suspender pessoas e objetos ele necessita de muuuito ar quente por metro cúbico (já que cada pé cúbico de ar contido no balão de ar quente pode segurar, em média, sete gramas – o que é bem pouquinho).
Mas essa parte é um tanto quanto complexa para a minha cabeça. Por isso nem procurarei me aprofundar. Vamos aos componentes do balão. Ele possui três partes básicas. A primeira é o queimador, porque, obviamente, faz-se necessário o reaquecimento do ar (que, como o nome indica, tem de ser quente). Portanto, quando o ar no balão esfriar, o piloto vai lá e aciona o queimador. A lona grandona, por sua vez, chama-se envelope. Ela está ali para segurar o ar. Finalmente, temos o cesto de vime, o qual carrega os passageiros e demais itens que se quiser levar na viagem.
O propano é o gás, atualmente, usado na queima pelos balões de ar. Ele é armazenado em forma líquida comprimida nos cilindros leves posicionados na cesta do balão. Uma curiosidade interessante sobre esses balões é que o material utilizado para fabricar os envelopes, normalmente, é o náilon. Os tecidos de náilon foram escolhidos por serem bastante resistentes e leves, além de terem uma alta temperatura de derretimento.
Para fazer o balão cair, basta dar vazão ao ar. Mas manter o balão no ar e fazê-lo descer são os únicos controles estáveis que o piloto pode fazer. Fora isso, depende-se do vento e de suas diferentes direções e altitudes para descobrir-se qual caminho o balão vai tomar. Por isso, quem se aventura a andar de balão não pode esperar velocidade e precisão. O bom mesmo deve ser curtir a expectativa de não se saber como vai ser. É puro improviso!
Ah! E um balão consegue voar a mais de oito mil metros de altitude. Só que, geralmente, sua altura varia entre centímetros do chão até dois mil metros. Pilotá-los exige, a cima de qualquer coisa, paciência, já que eles não são aeronaves dirigíveis. Mas é um jeito lúdico e livre de chegar aos céus.
Pode ter parecido, todavia, que foi fácil dar vida a um invento tão brilhante. Não, não caiam nessa besteira! A vontade de voar, como se sabe, é antiga. Os primeiros indícios de equipamentos que permitissem isso ao homem também o são. Existem documentos da dinastia Yin, lá da mais arcaica China, que indicam a existência de balões, movidos possivelmente a fumaça, que levavam pessoas e eram, supostamente, usados em guerras.
As primeiras civilizações da América do Sul, como sempre, não ficam para trás. Os índios Nazca também fizeram as suas tentativas de voar por meio de balões, de acordo com o que se observa nos famosos desenhos dos planaltos de Nazca e também em um trabalho de barro deixado por eles onde há a representação de um balão.
Todavia, foi aqui no Brasil que se fez a primeira confirmação de uma experiência com balão de ar quente. Bartolomeu de Gusmão, o jesuíta, também conhecido como “padre voador”, foi o pioneiro. (Nós e os nossos padres voadores, não é?). O coitado iniciou suas pesquisas em 1708. Pena que elas não foram bem sucedidas! Ele demonstrou seu trabalho à família real portuguesa e o desfecho foi trágico: o seu balão, provavelmente feito de papel unido a algum material inflamável na parte inferior, só subiu mais ou menos um metro do nível do solo e, para completar, ainda incendiou. Dom João V, que esperava um invento capaz de servir para viagens, transporte, correção de mapas, apoio em guerras e mais outras tantas utilidades, decepcionou-se. Já o padre acabou desmoralizado.
Setenta ou oitenta anos depois, na França, os irmãos Jacques e Joseph Montgolfier fizeram um balão de ar quente realmente eficaz no transporte de pessoas. Desde então a tecnologia deslanchou e fez fama pelo mundo. O balonismo espalhou-se por livros, filmes e pelo imaginário de gente sonhadora. Em 1970 foi montada a primeira fábrica dessas aeronaves, três anos mais tarde realizou-se o Primeiro Campeonato Mundial de Balonismo. Com isso, o crescimento da técnica foi gigantesco.
No Brasil mesmo a quantidade de eventos para quem pilota balões é grande. Há campeonatos de norte a sul, nas capitais (como em São Paulo, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro) e também nas cidades menores (descobri que existe até um bastante tradicional em Torres – RS). Inclusive, a Associação Brasileira de Balonismo costuma escolher cidades interioranas dos estados de São Paulo e de Minas Gerais para sedear o Campeonato Brasileiro. Enfim, voar no estilo Mágico de Oz não é tão raro assim, né? Só é caro. Os passeios de balão disponibilizados por agências de viagem e turismo não cabem no meu bolso de estudante universitária.
Pelo menos já sabemos um pouquinho mais sobre como funciona a arte de voar em balões e ficamos com o gostinho (mais uma vez!) através das imagens. Invejem! =) E até a próxima postagem.


Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bal%C3%A3o
http://360graus.terra.com.br/balonismo
http://ciencia.hsw.uol.com.br/baloes-de-ar-quente.htm
http://www.balonismo.org.br/
http://www.balonismobrasil.com.br
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