segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Salut ;D mais uma vez, galere. Pois é, o Dia Mundial de Combate Contra a AIDS está chegando, vai ser na próxima terça-feira. Não sei se vocês ficaram sabendo, mas bem no comecinho de setembro desse ano (no dia 6) foram divulgados os produtos de uma campanha publicitária alemã que viria a ser veiculada na ocasião do dia 1 de dezembro (o já mencionado dia da luta contra a AIDS). Só que, antes do final do ano chegar, essa peça deu muito o que falar. Vejam vocês mesmos =] Leiam o artigo que escrevi com um colega (o Paulo Victor) e reflitam.


No início de setembro deste ano, a agência publicitária “Das Comitee” (Hamburgo, Alemanha) lançou uma campanha contra a AIDS, a fim de ser veiculada nas TVs e cinemas alemães. Contratada pelo órgão humanitário “Regenboden”, a propaganda, de nome “AIDS, um assassino em massa”, chocou os críticos da área pelo caráter apelativo que deu ao problema endêmico provocado pelo vírus HIV, associando-o à figura do ditador Adolf Hitler.

O assunto Hitler ainda é bastante delicado na Alemanha e a situação agrava-se mais com o fato de a propaganda mostrar cenas de sexo explícito entre um casal (outro assunto delicado, dessa vez na sociedade ocidental contemporânea como um todo). A face do homem no vídeo só é descoberta ao final desse: é o rosto de Adolf Hitler. Para causar efeito, seguida da revelação, surge na tela a seguinte frase: “AIDS, um assassino em massa. Proteja-se!”.

A campanha foi feita para ser promovida em toda a Alemanha, pretendendo conscientizar os cidadãos, principalmente os jovens, sobre a importância do sexo seguro. Foi levado em conta também que o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS se aproxima, será em 01 de dezembro.

Mas, como já foi mencionado, o nazismo continua sendo uma espécie de tabu na sociedade alemã e, de maneira menos intensa, no restante dos países. Criou-se uma espécie de mito diante da figura de Hitler. A comunidade judaica, que detém grande parcela da mídia mundial, expõe para a população a imagem do ditador como uma personificação do demônio. Não estamos dizendo com isso que as atitudes de Hitler não causaram efeitos bastante graves e impositivos para a humanidade, ele, de fato, foi cruel e déspota ao extremo ao defender suas ideologias.

Foi exatamente por esse motivo que a Agência Publicitária Das Comitte decidiu usar sua imagem (assim como as de outras figuras políticas que ficaram marcadas na história por seu modo desumano de agir: também foram feitos pôsteres de Saddam Hussein e de Josef Stálin) para causar impacto. Os criadores da peça, ao defenderem sua proposta, alegaram que pretendiam caracterizar o vírus como um elemento maligno. Seu objetivo era sacudir as pessoas e uma forma chocante de fazê-lo era dando à doença um rosto que “certamente não poderia ser bonito”, reproduzindo aqui as palavras de Dirl Silz, diretor de criação da campanha. O outro diretor de criação da empresa completa: “Muita gente não está consciente de que a AIDS mata todos os dias muitas pessoas. Eles (a ONG Regenbogen) queriam uma campanha que dissesse aos jovens que ela continua a ser uma ameaça”.

Já a ONG (Organização Não Governamental) responsável pela concepção da idéia, a Regenbogen, justificou-se utilizando números: “No mundo, morreram mais de 28 milhões de pessoas. E a cada dia surgem 5.000 novas vítimas. Com isso, a AIDS é um dos maiores assassinos de massas que já existiram até hoje”. O site da campanha também possui informações sobre o contágio e a proliferação da moléstia (por exemplo, a cada 15 segundos uma pessoa morre de AIDS no mundo). A campanha, portanto, apesar de abrir vertentes para um sem fim de críticas e polêmicas, as quais serão expostas em seguida, é, por outro lado, inegavelmente, memorável e, objetivamente, eficaz.

Antepondo-se ao ponto de vista no qual se baseia a publicidade, cidadãos, entidades e noticiários de toda a parte expuseram sua opinião, muitos acusando a propaganda de agressiva e preconceituosa. Segundo uma reportagem feita pelo portal G1 (da Rede Globo de Televisão), ONG's inglesas classificaram a peça como sendo um fator de estigmatização dos soropositivos, ou seja, colocando os aidéticos como "nazistas" e "assassinos" ou como pessoas do mal de quem se deve tomar distância. Algumas entidades européias apontaram para o caráter insensível da agência para com os portadores do vírus.

A Associação Alemã de Ajuda contra a AIDS (DAH), por sua vez, observou o aspecto contraditório da campanha que, de acordo com sua análise, viria a prejudicar o combate à doença. Além disso, ela provavelmente ofende, de modo generalizado, a todas as vítimas do nazismo. Carsten Schatz, integrante da direção da DAH, lembra, em comunicado oficial, que a publicidade “não tem nenhuma mensagem sobre como se proteger do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis”. Ele finaliza sua manifestação dizendo, ainda, que a proposta publicitária serviria somente para gerar pânico.

O repórter Adriano Nobre, do site português “i Informação”, em sua coluna sobre o fato, fala das opiniões de publicitários portugueses sobre o ocorrido. Criticando a ética da campanha, o diretor de criação da agência “Excentric” Jorge Teixeira, diz: “Geralmente o limite da publicidade é o bom senso de quem passa o cheque”. O site ainda cita a declaração de Luís Mendão, um dos diretores do “Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de Aids”: “A Aids é um problema sério e as pessoas devem ser alertadas usando todos os mecanismos possíveis. Mas parece-me incorreto usar a imagem de Hitler desta forma, diabolizando o soropositivo. Até porque o foco destes alertas deve estar na necessidade de proteção”.

De acordo com dados do blog Do Entrelinhas (confira no endereço: http://doentrelinhas.blogspot.com), a emissora alemã RTL recusou-se a veicular a propaganda, alegando que, não apenas o rosto de Adolf Hitler, como também as cenas de nudez e sexo parcial no vídeo são inadequadas. O site Youtube, igualmente, decidiu deletar o vídeo de sua página eletrônica, afirmando que seu conteúdo atenta contra o regulamento do site.

Quando as peças com as figuras de Adolf Hitler, Saddam Hussein e Josef Stálin foram divulgadas e a intenção era veiculá-las só no fim do ano, não se imaginava que elas gerariam tamanho desconforto. Isso torna o futuro dessa publicidade incerto. A DAH exigiu a suspensão da campanha. A Das Comitte, em contrapartida, tem em mãos a publicidade completa, composta por diferentes trabalhos (há pôsteres, vídeo e música).

Agora, quem deve decidir o que é melhor para seu público e para a sua população, são a mídia alemã e o seu Governo, entrando em consenso. Apesar da grande carga negativa detectada na campanha, ela foi feita, sem dúvidas, com a melhor das intenções: combater essa doença que tem se infiltrado no nosso cotidiano tão rapidamente nas últimas décadas e que vitima tantas pessoas de maneira arrebatadora. Independentemente de mostrar-se relacionada com fatores bons ou ruins, o que importa é sua mensagem central e objetiva: a AIDS está aí e está matando muita gente. Então, proteja-se!



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