A Cafeomancia é uma prática usada para adivinhar o futuro através da leitura da borra de café que aparece na parede e no fundo de uma xícara, depois de bebê-lo. Ela tem origem árabe, sendo, inclusive, muito difundida nesses países, tornando-se uma de suas mais ricas tradições, principalmente no Irã, na Turquia e no Sul da Rússia, onde era praticada pelas cortes dos grandes czares. Ler a borra de café é um exercício que exige muita concentração e sensibilidade, necessárias para que se perceba com clareza a figura que surge, decifrando-a. Para a realização da leitura, utilizam-se os seguintes componentes: o pó de café, açúcar, uma xícara e um pires branco. Acredita-se, ainda, que o café seja um excelente elemento para atrair a prosperidade. A fim de saber um pouco mais sobre a tradição tão inserida em muitas culturas mundo a fora, a Orelha Quente foi atrás de alguém reconhecido na área e que pudesse nos falar com maior clareza sobre o assunto. Conseguimos contato, então, com Lidija Milovic, exotérica iugoslava que imigrou para o Brasil há muito tempo e hoje, aos 55 anos de idade, tem seu próprio negócio para tratar de temas referentes à Cafeomancia e ao Tarô. Acompanhe a entrevista feita com Lidija:
Orelha Quente - A senhora pode nos explicar como decorrem as consultas?
Lidija - Bom, eu não faço consultas. Eu só estou olhando o que a xícara fala. Não sou eu quem fala, é a xícara quem fala. Ela tem energia. E abrindo a xícara você vê as coisas. Você sente, você cheira, você percebe e depois fala o que vê.
Orelha Quente - O que exatamente você vê na xícara?
Lidija - Um momento. O momento da pessoa e os sentimentos do momento dela. Geralmente, a energia sentimental é mais forte. Ela aponta para os medos, doenças e ansiedades das pessoas. A energia referente aos sentimentos do momento atual prevalece e o passo seguinte liga-se a situação do momento que a xícara mostrou.
Orelha Quente - Com quem ou como você aprendeu a ler a borra de café?
Lidija - Boa pergunta. Mas eu acho que isso não dá para aprender. Isso é uma coisa que muito tempo eu neguei, eu fugia desse dom. Minha mãe era muito boa em ver borra de café. Ao ter contato com o mundo árabe ela entrou em contato também com as xícaras. Lá ela, apesar de não saber explicar como, começou a olhar para as manchas e ela via as coisas, via as figuras, via as cores e essa é a energia. Quando eu nasci, junto dela, eu comecei a olhar para aquilo e via essa figura, via aquela outra. Foi assim que começou.
Orelha Quente - Qual é o público que procura os seus serviços?
Lidija - De jovens até velhos, todo mundo procura. Homens, mulheres, casados, desesperados, políticos, psiquiatras, todos.
Orelha Quente - Qual é o público predominante?
Lidija - Predominam as mulheres entre 25 e 35 anos de idade.
Orelha Quente - Como você acha que a sociedade recebe e encara o seu trabalho?
Lidija - Ela é vista como uma profissão exotérica. Algo totalmente atraente e que funciona, que dá certo e consegue atingir o objetivo de matar a ansiedade.
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