domingo, 22 de novembro de 2009

Orelha Quente

Acho que não comentei aqui ainda (ou talvez tenha comentado, minha memória é traiçoeira comigo), mas estou fazendo uma revista pra Planejamento Gráfico sobre superstições, crenças e afins. Resolvi divulgar um pouquinho do nosso trabalho aqui. Foi super interessante ir fazer essa entrevista. Mas acho que nesse dia descobri que não levo jeito pra coisa. Quer dizer, que eu me identifico bem com as câmeras e com o ambiente televisivo eu já sabia. Só não sabia que era tão ruim fazendo entrevistas. huahuahua. Tudo bem, não desisti dos jornais/revistas. Sempre aprendemos com o tempo =)

A Cafeomancia é uma prática usada para adivinhar o futuro através da leitura da borra de café que aparece na parede e no fundo de uma xícara, depois de bebê-lo. Ela tem origem árabe, sendo, inclusive, muito difundida nesses países, tornando-se uma de suas mais ricas tradições, principalmente no Irã, na Turquia e no Sul da Rússia, onde era praticada pelas cortes dos grandes czares. Ler a borra de café é um exercício que exige muita concentração e sensibilidade, necessárias para que se perceba com clareza a figura que surge, decifrando-a. Para a realização da leitura, utilizam-se os seguintes componentes: o pó de café, açúcar, uma xícara e um pires branco. Acredita-se, ainda, que o café seja um excelente elemento para atrair a prosperidade. A fim de saber um pouco mais sobre a tradição tão inserida em muitas culturas mundo a fora, a Orelha Quente foi atrás de alguém reconhecido na área e que pudesse nos falar com maior clareza sobre o assunto. Conseguimos contato, então, com Lidija Milovic, exotérica iugoslava que imigrou para o Brasil há muito tempo e hoje, aos 55 anos de idade, tem seu próprio negócio para tratar de temas referentes à Cafeomancia e ao Tarô. Acompanhe a entrevista feita com Lidija:

Orelha Quente - A senhora pode nos explicar como decorrem as consultas?

Lidija - Bom, eu não faço consultas. Eu só estou olhando o que a xícara fala. Não sou eu quem fala, é a xícara quem fala. Ela tem energia. E abrindo a xícara você vê as coisas. Você sente, você cheira, você percebe e depois fala o que vê.

Orelha Quente - O que exatamente você vê na xícara?

Lidija - Um momento. O momento da pessoa e os sentimentos do momento dela. Geralmente, a energia sentimental é mais forte. Ela aponta para os medos, doenças e ansiedades das pessoas. A energia referente aos sentimentos do momento atual prevalece e o passo seguinte liga-se a situação do momento que a xícara mostrou.

Orelha Quente - Com quem ou como você aprendeu a ler a borra de café?

Lidija - Boa pergunta. Mas eu acho que isso não dá para aprender. Isso é uma coisa que muito tempo eu neguei, eu fugia desse dom. Minha mãe era muito boa em ver borra de café. Ao ter contato com o mundo árabe ela entrou em contato também com as xícaras. Lá ela, apesar de não saber explicar como, começou a olhar para as manchas e ela via as coisas, via as figuras, via as cores e essa é a energia. Quando eu nasci, junto dela, eu comecei a olhar para aquilo e via essa figura, via aquela outra. Foi assim que começou.

Orelha Quente - Qual é o público que procura os seus serviços?

Lidija - De jovens até velhos, todo mundo procura. Homens, mulheres, casados, desesperados, políticos, psiquiatras, todos.

Orelha Quente - Qual é o público predominante?

Lidija - Predominam as mulheres entre 25 e 35 anos de idade.

Orelha Quente - Como você acha que a sociedade recebe e encara o seu trabalho?

Lidija - Ela é vista como uma profissão exotérica. Algo totalmente atraente e que funciona, que dá certo e consegue atingir o objetivo de matar a ansiedade.


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