Achei que deveria escrever uma crônica da inspiração divina dos meus amigos de querer me ajudar com um problema técnico que eu tenho desde os 15 anos e meu pai nunca quis me socorrer: dirigir. Sim! A Elisabethy (haha) e o Thiaguinho se dispuseram a me ensinar. Fiz a Elis passar sufoco. Mas o Thiago não, claro. Ele manteve-se sempre plácido, como se não fosse com ele, muito menos com o carro dele. Vamos então, à história. Tudo começou na terça-feira, depois da aula de História da Filosofia Antiga (porque ela não poderia faltar aqui, né?). A professora aderiu à greve. Portanto, eu não teria o que fazer naquela tarde. Decidi chamar os outros integrantes do trio para assistir Lua Nova no cinema. Como de costume, nos perdemos e demos mil voltas e resolvemos fazer vinte coisas diferentes antes de chegarmos ao Park Shopping para ver o filme. Lá no Park tudo se deu exatamente da mesma maneira, fizemos vários outros programas antes do cinema em si. Uma delas foi ir à Hot Zone. A Elis, sem infância, queria brincar em tudo. Até que, sem querer, ela descobriu a brincadeira mais divertida de todas: me ensinar a dirigir. Sentei em uma Ferrari (porque, segundo o Thiaguinho, sou muito metida e aprendo a dirigir só em Ferrari) e, tcharãn, eles me mostraram como passar as marchas e como usar os pedais. Tá, a dificuldade inicial foi conciliar o que a Elis falava com o que o Thiaguinho se desesperava, se é que vocês me entendem, só sei que achei legal. No dia seguinte fui na auto escola, eles marcaram meu psicotécnico para a sexta-feira de manhã. Só que eu nem podia ficar esperando à toa, parada. Convoquei a galere e lá fomos nós, na quase trágica noite de quinta-feira, para o estacionamento do Mané Garrincha. Acho que todas as pessoas em Brasília começam a aprender por lá. O que é tenso. Existem ônibus e caminhões saindo e entrando o tempo inteiro. Fora os guardinhas que ficam se divertindo as nossas custas. Passam também umas pessoas assim, bem do além. Com essa pequena declaração já deu para perceber o quanto eu devia estar apavorada, não? O problema comigo é que eu nunca sou tão previsível. Por isso, não, eu não estava assustada. Minha mãe diz que eu não tenho medo do perigo, além disso, ela tem acrescentado nos últimos dias que acha ótimo o Thiaguinho ter juízo suficiente para não me emprestar o carro. Mas no estacionamento ele empresta. E confia completamente em mim (nem coloca o cinto!). Voltemos ao momento em que trocamos de lugar, eu e o Thiago, a Elis estava tremendo há horas no banco de trás. Sentei, demorei um instante para colocar o cinto (sei lá, às vezes até parece que o cinto do motorista tem que ser puxado do lado contrário. Só que nem é, eu é que mudei de lado mesmo). Eles me ensinaram os procedimentos, pacientemente. Na verdade a parte da paciência fica com a Elis, porque o Thiago só concorda. Não que ele não seja paciente, ele só é estranho, nunca sabe ensinar. Pena que ele não acredita em mim quando eu falo isso. Eu entendo, também nunca soube ensinar as coisas. Fica a dica. Por precaução, eles baixaram a música. Pus o pé no freio, torci a chave ruidosamente (nessa hora o Thiago falou "ai! minha gasolina"), puxei o freio de mão... Ok, ok, aí nos deparamos com o primeiro problema: o freio de mão. Ele é pesado, ainda mais quando é o Thiago quem puxa. Preciso, normalmente, usar as duas mãos e puxar com toda a força que eu nem se quer tenho. Logo depois disso, aperto a embreagem e coloco na primeira marcha. Foram umas quatro vezes nesse processo. Até que consegui sair. Ai minha gasolina [2], porque eu fui de primeira mesmo. Segundo problema: como fazer o carro andar reto? Nunca fui uma pessoa descoordenada, no prézinho, uma vez, a professora me elogiou porque eu cortei os pés de um boneco que eu mesma desenhei bem na linha, certinho. Não sei onde foi parar a coordenação, só sei que o carro realmente não queria andar do lado da linha branca. Eu ia quase ziguezagueando. E a Elis lá atrás, sacudindo de um lado para outro e, provavelmente, pensando "Eu não devia ter ficado com o Renato no Luálcool. Por causa dele conheci esses loucos..." (haha. tá, talvez ela não tenha ido tão longe no pensamento, mas arrependida com certeza ela estava). Nada que não possamos arrumar com o tempo, no meu caso preciso de um pouco mais de tempo, só que isso nem vem ao caso. Quase consegui. Estava aliviando refletindo que ao menos não tinha atropelado nenhum meio-fio (estilo Alexandre) ou saído louca e bruscamente (estilo Moema). Quer dizer, para ser sincera, chegamos ao terceiro problema. Eu não sei ser sutil, definitivamente. "Pronto, agora para passar a terceira você acelera um pouquinho, Mari", então a Mariana enfia o pé com tudo no acelerador e faz o maior barulho da vida. Até atrair policiais, caras fazendo pega ou pessoas estranhas que tentam subir no carro do Thiago enquanto eu estou dirigindo. Ah, ou ainda um ser que surge a pé e vem pedir uma informação no meio do nada. Obviamente, essas coisas são banais demais diante da árvore. Concentremo-nos nela. Minha inabilidade com a atitude de ser delicada deixa a Tanajura um pouco desesperada (entendam por bastante), o que mais se escuta durante as pseudo-aulas de direção são frases do tipo "Mari, você não sabe o que é de leve, menina?", "Aperta, mas aperta um POUCO". O quarto problema foi, creio eu, o freio. A falta de sutileza não me permitia parar com cuidado. E nessas de ser uma moça agressiva vamos todos mandando beijos à gasolina do Thiaguinho (prometo que quando nós passarmos no estágio, sim, nós três passaremos, guardarei parte do salário para a sua gasolina, Pitel). A boa notícia é que sou muito esperta (não vale rir, Pablocito. huahuahua), logo vi que apertando a embreagem e depois o freio, com muita leveza, o carro para feito uma pena. Tá, foram eles que me disseram isso, claro. Houve uma pequena dificuldade com a meia embreagem também. Porém, isso não chegou a ser um problema. Reservei o sétimo problema para, finalmente, contar o episódio da árvore. Já que o sete é um número que se encaixa perfeitamente com a situação (isso ficou ao meu critério e nem mesmo faz sentido para os bróders, talvez para o Thiago), gosto dele. Eu estava dirigindo até com certa destreza, guiei o carro, concentradamente, para a pequena subida no final do estacionamento. Mas eu não sabia como voltar, pedi uma luz para o Thiago, claro, porque já estava na hora de virar, eu tinha medo de bater em tudo (parece que quando o carro está nas nossas mãos todos os caminhos ficam pequenos e estreitos). Ao que o Thiaguinho respondeu "vira o volante todo para a esquerda". Virei o volante. Entretanto, na emoção e nervosismo, também apertei o acelerador. Foi nessa hora que tudo pareceu mais claro, agora fazia sentido o Thiago correr ao ritmo da música. Ou melhor, fazia sentido ele correr. Antes era meio inconcebível. Mas, sério, é real e estranhamento bom apertar com tudo o acelerador. Não, não serei uma motorista irresponsável. Não pensem assim. Foi só, como eu disse, a emoção do momento. O detalhe é que não era simplesmente acelerar o carro, isso não é tão bom assim, mas era acelerar o carro em uma curva e do lado de uma árvore enorme! Lembro como se tivesse acabado de acontecer. Ele foi girando, girando rápido, eu caindo por cima do Thiago e a Elis gritando para eu parar e o Thiago respondendo "não assusta ela, não é nada demais". Contudo, refletindo, conclui que foi um pouco demais sim. Passamos bem perto da árvore mesmo! Isso não tornou as coisas menos divertidas. Apenas a Elis, pobre Tanajura, ficou branca, pálida. Eis a cena impagável daquela noite da minha estréia da direção: a Elis com cara de quem viu a vida passando na cabeça em um segundo. Eu ria, o Thiago também (fácil de imaginar). O restante do tempo foi sem maiores transtornos. A Elis também dirigiu. Quem não ficou tão feliz assim no final da história foi o Pitel. Porque, né, era a gasolina dele, o carro dele e a vida dele. Huahuauhahua. Quem disse que o Thiago sabe o que é perigo? Eu não sei. Por isso foi tão engraçado. Ontem eles me deram a terceira aula. Segunda na prática de verdade. Morri o carro mais vezes. Só que também dirigi mais e melhor. Meus pais falaram que essas coisas a gente vai aperfeiçoando a cada dia e que depois vai ser como digitar para mim. De qualquer forma, minha mãe fez uma de suas típicas observações, apenas para constar (e para me tirar!): "É, vai ser bem difícil para você se você não consegue nem mesmo segurar o volante reto...".
As aulas teóricas começam na terça, galere =) me desejem boa sorte. haha.
beijos e queijos :*
As aulas teóricas começam na terça, galere =) me desejem boa sorte. haha.
beijos e queijos :*
2 comentários:
ah meu deus , tu com carteira é um perigo pra sociedade hahahahaha pelo menos eu tenho carona garantida qnd for pra bsb (ou não?) =D
"agora fazia sentido o Thiago correr ao ritmo da música. Ou melhor, fazia sentido ele correr (...) sério, é real e estranhamento bom apertar com tudo o acelerador." HAEUAHUEAHEHAUHEUAHUEAHUEAHUEHAUEA MEREÇO!
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