Pensando bem acho que esse negócio de paixão é quase uma doença crônica. Sim! Daquelas que não são resolvidas em um curto espaço de tempo, não são emergências, mas podem se tornar bastante graves. A vida curta que lhe acusam de possuir fica por parte do pequena espaço de tempo que ela dura e porque, depois que passa, leva consigo para o outro mundo aquela conhecida projeção da pessoa amada. Acredito que a morte seja dupla. Pois morre também o apaixonado. Já a minha sugestão dela ser crônica é pura e simplesmente porque as paixões sempre deixam lembranças, traumas ou indiferenças por grandes períodos de tempo. Doenças crônicas, segundo a Wikipédia, são assintomáticas ou quase assintomáticas, entretanto, caracterizam-se por episódios agudos perigosos e/ou muito incomodativos. Isso não lembra o começo daquela tão cotidiana sensação na história do mundo (como disse Vinicius de Moraes, a história do amor nada mais é que a história do mundo) das borboletas na barriga? Primeiro parece que não é conosco, que nem estamos sentindo o coração bater mais forte, os sinas indiscretos que todos os outros conseguem captar mas nos quais nós mesmos hesitamos em acreditar, as indiretas, as provocações e toda a sequência de babaquices que é constante no currículo dos pré-apaixonados. Em seguida, ao admitirmos que algo está, de fato, diferente, há o período de adaptação, nele ficamos apenas curtindo os sintomas. Essa fase tem durabilidade variável de pessoa para pessoa. É certo, porém, que uma hora ou outra atingem-se os já cogitados episódios agudos perigosos e/ou incomodativos. A partir daí as reações são as mais variadas. Tem quem pire por dentro, tem quem pire por fora. Tem quem enlouqueça quem está ao seu redor, outros enlouquecem sozinhos. Os fatores de risco são sabidos, ocorrem implicações como tensão arterial, problemas de frequência cardíaca, obesidade ou falta de fome, consumo de álcool ou tabaco acelerado ou retardado e uma série de consequências que estão estritamente vinculadas com a correspondência da paixão e com adaptações psíquicas do indivíduo. Surgem então idéias completamente loucas que jamais viríamos em outro estado de inspiração que não o amor: Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal num acesso de ousadia e nostalgia, Cazuza quis presenter a amada com mil rosas roubadas, Nietzsche (em Quando Nietzsche chorou) deixava que Lou segurasse as rédeas, Lispector se debatia entre as contradições de amar ou não amar (em "Eu te amo") e entre tantas outras pequeníces ou extravagâncias, as pessoas vão demonstrando o que sentem. É um perigo um apaixonado. Eles conseguem mover montanhas, assim, de verdade mesmo, não só metaforicamente. Os apaixonados movem o que quiserem, céu, terra, mar, mudam o mundo e mudam as vidas uns dos outros. O problema mesmo é que as paixões acabam. Talvez esse seja o resquício mais drástico da doença crônica: a paixão chega ao ponto de virar um mal. Ou, talvez (quem sabe?), o mal seja mesmo se deixar apaixonar. Porque apaixonados perdemos a noção do tempo, das atitudes, das coisas e as vezes até de nós mesmos. No final das contas é só se precaver e a prevenção é cuidar bem da saúde. Porque (não tem como fugir) tem uma noção com a qual nem podemos ficar sem: as paixões crônicas de causa infecciosa são causadas por indivíduos invasores com os quais é atingido um equilíbrio. Dica: A OMS sugere muito CUIDADO!
É que eu acho que nos (pseudo) apaixonamos várias vezes ao dia, simplesmente porque é divertido. Hoje eu disse pra minha mãe que achava que tinha me apaixonado, depois fui parar pra refletir. Não é a primeira vez que acho isso, não é a primeira vez também que me engano, me confundo, mas me divirto. Feelings and more feelings! Creio que devemos simplesmente tentar =) todas essas vezes!
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