terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ele entrou, ela não estava ali. Não era de hoje que ela não estava mais ali. Já devia fazer uns 5 ou 6 meses, talvez 4. Tanto faz. Um dia ele disse a ela que o tempo passava rápido ali. Não era verdade, desde que ela não estava mais ali o tempo passava bem devagar. Nem um pouco apressado. Mas completamente irritado. Desde o momento do "adeus". Nada estava claro na cabeça dele, foram dias loucos aqueles. De repente, tudo estava despedaçado, de repente, tudo estava refeito e, no instante seguinte, quebrou-se pela última vez. Será que era a última vez? O amor deles era tão novo. Um velho amor ainda e sempre. O problema é que o amor dele não era mais dela. E o amor dela continuava sem nenhum destino ou intenção. Voltemos então a ele entrando ali. Era uma terça-feira qualquer, o diferente foi lembrar assim, sem nem querer, do que tinha acontecido há um tempo já e que também já parecia apagado na memória. Ou pelo menos assim deveria-se fingir. Ele fingia. Ela também. Um dia desses ela tinha ligado pra ele, perguntando porque ele a odiava tanto. Ódio, odiar... Ele falava, angustiado, eu não te odeio, eu não te odeio, fulana. Ela não estava convencida. Pudera, né?! Fora tudo tão estranho. Ela viajou, ele ficou, ela o esqueceu, ele lembrava dela todos os dias, cada vez mais. Ela voltou, ele foi atrás. Mas quem disse que ela seria previsível? Ela nunca fora. E o que ela queria dele, meu Deus? O que? "O que será que ela quer de mim, afinal?" - ele vivia se questionando. Acho que nunca tinha lhe ocorrido que não era preciso querer, querer é demais quando já sentimos e o nosso sentimento é tamanho que não temos idéia, ele só transborda. Amor, amar... Quando o amor dela percebeu que queria ser amado pelo amor dele que agora já amava o amor de outra pessoa, ela se desesperou. Ela, ou talvez o amor próprio dela. Pena que ele não sabia disso. Se sabia, ele não queria ver. Não, não é que ele não quisesse ver, era mais cômodo, nessas alturas, deixar as coisas bem assim, como as coisas estavam. Por pior que elas estivessem. Daí ele entrou, sentou-se na carteira, perplexo, refletindo sobre a possibilidade de ela gostar dele e não ter dito logo a verdade e esse ser o motivo por ela ter perdido a cabeça e a amizade. É ruim quando é tarde demais para as coisas na vida. Ela se sentia tão só. Ele se sentia tão e cada vez mais dela. Não havia, porém, o que fazer com relação aos sentimentos. Ela passou, cabeça erguida, coluna ereta, carregando dois livros apertados contra o peito. Ele pensou em levantar, ir atrás e confessar que ele precisava dela, desse jeito mesmo, bem clichê. Ela, por sua vez, pensou em dar meia volta, entrar correndo na sala e dizer que ela iria ficar, ficar longe, ficar perto, ficar toda para ele. É, pode parecer mentira, pode parecer que não, mas o fim da história (que ainda não acabou) é que, depois de toda a confusão, ele continuava tendo ela bem na mira. E ela continua tendo ele na mão. O problema é que tinha ficado para trás o que os havia juntado. Só que eles ainda lembram...

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