SEGUNDO EPISÓDIO:
Havia calças, camisas, meias, cuecas, um livro de Marx, uma tese sobre Engels, uma revista de História com o título (em negrito e itálico) “Socialismo Utópico”, além de uma caneca de alumínio,
um canivete e dois discos de vinil (um do A-ha e outro do Menudo). Tudo se encontrava, agora, espalhado na rua. Desajeitado, ele juntava as coisas, com pressa, mas sem perder a compostura. Ele nunca perdia a compostura. Seu ego era pura vaidade. Vazio nele só mesmo o coração. Não que ele não quisesse se apaixonar, ele só não conseguia achar a pessoa certa. A mulher perfeita.
Falando em mulher e em perfeição, do outro lado da rua, por entre os camelôs e as bancas dos hippies, uma moça tímida hesitava em decidir se ia ou não ia ajudá-lo. Elis Regina é seu nome. Seus olhos negros escondem-se por detrás dos seus óculos de lentes de garrafa, sua face esconde-se por detrás de seus longos cabelos encaracolados e sua beleza esconde-se por detrás de seu rosto sempre cabisbaixo.
Ela não acreditava em seus próprios instintos de sedução, desconfiava de que era rejeitada por todos os homens e tinha certeza de que era quase um patinho feio. A perfeição fica por minha conta, porque, apesar dela nem imaginar, quando ela resolvesse prender o cabelo em um coque bem no alto da cabeça, subir em um salto alto, ousar com um decote bem justinho e olhar para frente mostrando seu sorriso meigo e ao mesmo tempo divertido, as coisas iriam mudar. Obviamente, naquela ocasião ela nem imaginava que isso era concebível, muito menos que seria real em tão pouco tempo.
Inspirou com força, só para ter certeza de que tinha mesmo tomado coragem, e dirigiu-se ao lugar onde Thiago Theodoro estava estendido, na tentativa de recolher a caneca de alumínio que fora parar um pouco mais longe.
- Você precisa de ajuda? – Indagou Elis Regina, com uma voz quase inaudível e já se ajoelhando para catar três ou quatro pares de meias que estavam jogados aos seus pés.
Thiago Theodoro ergueu de leve a cabeça para encarar a companheira que surgira para demonstrar solidariedade.
- Claro! – Respondeu ele, meio atordoado. - Obrigada.
Os dois terminaram o serviço rapidamente, mas em silêncio. Ao final, Thiago Theodoro a agradeceu e estendeu-lhe a mão:
- Thiago Theodoro. Muito prazer! – sorriu animadamente.
- Elis Regina. – ela retribuiu o sorriso – Você não é daqui, é?
- Não, não. Acabei de chegar na cidade. Vim da capital, vou fazer Ciências Sociais na UniSDM (a título de esclarecimento: Univerdade de San Diego do México).
- Parabéns! Eu leciono lá perto. Na Escola Primária São José, dou aula para as crianças do quinto ano.
- Ah! Deve ser bom. E você mora perto do centro?
- Não, moro em um Pensionato. Fica um pouco longe, seis ou sete quadras da Praça da Igreja. É um pouco rígido, mas veio a calhar para mim. Mudei-me há pouco tempo, minha profissão não paga tão bem assim...
- Entendo. – ele pareceu apreensivo, mas, logo, demonstrou outra vez sua animação – Preciso arrumar um lugar para morar. Será que tem lugar para um jovem universitário desabrigado no seu pensionato?
- É provável. Se quiser me acompanhar até lá, fique a vontade.
Ela conversava com ele e refletia, paralelamente, que nunca tinha falado tanto e tão espontaneamente com alguém. Sentia-se feliz. Seria bom um novo amigo, ainda mais se fosse por perto.
E agora? O que será que vai acontecer com Elis Regina e Thiago Theodoro? Será que eles se tornarão grandes amigos? Será que pintará um clima de romance? Thiago Theodoro conseguirá um espaço na Pimenta Rosa? Não percam o próximo episódio do nosso drama mexicano.
Haha. Pitéis. Está só no começo, ein?!
Havia calças, camisas, meias, cuecas, um livro de Marx, uma tese sobre Engels, uma revista de História com o título (em negrito e itálico) “Socialismo Utópico”, além de uma caneca de alumínio,
um canivete e dois discos de vinil (um do A-ha e outro do Menudo). Tudo se encontrava, agora, espalhado na rua. Desajeitado, ele juntava as coisas, com pressa, mas sem perder a compostura. Ele nunca perdia a compostura. Seu ego era pura vaidade. Vazio nele só mesmo o coração. Não que ele não quisesse se apaixonar, ele só não conseguia achar a pessoa certa. A mulher perfeita.Falando em mulher e em perfeição, do outro lado da rua, por entre os camelôs e as bancas dos hippies, uma moça tímida hesitava em decidir se ia ou não ia ajudá-lo. Elis Regina é seu nome. Seus olhos negros escondem-se por detrás dos seus óculos de lentes de garrafa, sua face esconde-se por detrás de seus longos cabelos encaracolados e sua beleza esconde-se por detrás de seu rosto sempre cabisbaixo.
Ela não acreditava em seus próprios instintos de sedução, desconfiava de que era rejeitada por todos os homens e tinha certeza de que era quase um patinho feio. A perfeição fica por minha conta, porque, apesar dela nem imaginar, quando ela resolvesse prender o cabelo em um coque bem no alto da cabeça, subir em um salto alto, ousar com um decote bem justinho e olhar para frente mostrando seu sorriso meigo e ao mesmo tempo divertido, as coisas iriam mudar. Obviamente, naquela ocasião ela nem imaginava que isso era concebível, muito menos que seria real em tão pouco tempo.
Inspirou com força, só para ter certeza de que tinha mesmo tomado coragem, e dirigiu-se ao lugar onde Thiago Theodoro estava estendido, na tentativa de recolher a caneca de alumínio que fora parar um pouco mais longe.
- Você precisa de ajuda? – Indagou Elis Regina, com uma voz quase inaudível e já se ajoelhando para catar três ou quatro pares de meias que estavam jogados aos seus pés.
Thiago Theodoro ergueu de leve a cabeça para encarar a companheira que surgira para demonstrar solidariedade.
- Claro! – Respondeu ele, meio atordoado. - Obrigada.
Os dois terminaram o serviço rapidamente, mas em silêncio. Ao final, Thiago Theodoro a agradeceu e estendeu-lhe a mão:
- Thiago Theodoro. Muito prazer! – sorriu animadamente.
- Elis Regina. – ela retribuiu o sorriso – Você não é daqui, é?
- Não, não. Acabei de chegar na cidade. Vim da capital, vou fazer Ciências Sociais na UniSDM (a título de esclarecimento: Univerdade de San Diego do México).
- Parabéns! Eu leciono lá perto. Na Escola Primária São José, dou aula para as crianças do quinto ano.
- Ah! Deve ser bom. E você mora perto do centro?
- Não, moro em um Pensionato. Fica um pouco longe, seis ou sete quadras da Praça da Igreja. É um pouco rígido, mas veio a calhar para mim. Mudei-me há pouco tempo, minha profissão não paga tão bem assim...
- Entendo. – ele pareceu apreensivo, mas, logo, demonstrou outra vez sua animação – Preciso arrumar um lugar para morar. Será que tem lugar para um jovem universitário desabrigado no seu pensionato?
- É provável. Se quiser me acompanhar até lá, fique a vontade.
Ela conversava com ele e refletia, paralelamente, que nunca tinha falado tanto e tão espontaneamente com alguém. Sentia-se feliz. Seria bom um novo amigo, ainda mais se fosse por perto.
E agora? O que será que vai acontecer com Elis Regina e Thiago Theodoro? Será que eles se tornarão grandes amigos? Será que pintará um clima de romance? Thiago Theodoro conseguirá um espaço na Pimenta Rosa? Não percam o próximo episódio do nosso drama mexicano.
Haha. Pitéis. Está só no começo, ein?!
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