Último dia da Elis em Jaguari e, finalmente, eles pegaram um pseudo frio no Rio Grande do Sul. Foi legal. Pretendemos tomar vinho na despedida. Afinal, ela não pode sair daqui sem o vinho Jaguari, não é? Os dias tem sido legais, alguns não rendem tanto, mas outros... E todos acabam ou pretendem acabar em uma boa e velha partida de Uno para uns ou em uma daquelas "madrugadas picantes" para outros, o que também é válido (né coleguinhas que nesse momento estão sacudindo a cama e eu tenho medo de olhar para trás?! =P). Haha. Brincadeiras a parte (ou não, estamos tendo uma crise de riso agora porque eles acabaram de vir espiar o que eu estava escrevendo e tchãaaaan... a cama quebrou!!!), mas foco, vamos ao que interessa, ontem de madrugada fomos até a ponte do trem ver o céu. Foi um daqueles momentos que na hora nós tentamos guardar para nunca mais esquecer. O céu estava limpo e as estrelas estavam muito brilhantes. Estávamos eu, o Thiago, a Elis e o Kalel, ao som de Nando Reis, quando o Kalel solta a exclamação meio indignada irresistível, uma daquelas afirmações meio duvidosas tiradas das questões que nascem (e provavelmente morrem) conosco: "É uma prepotência achar que não existe nada além daqui, olhem para isso, é enorme...". As reticências abrem espaço para complementar o pensamento inacabado dele, assim como para explicar a pergunta que ficou no ar, quicando. A Elis respondeu algo, não lembro exatamente o que foi. Eu também falei qualquer coisa, concordando com o Kalel. Mas ninguém deu pano para a manga, a observação ultrapassou a ponte, caiu no rio e foi embora com a correnteza. Até porque, minutos depois, espertamente sacana, como uma típica criança mimada, o Kalel forjou a aparição de um trem e fez todos saírem correndo loucamente, naquela emoção entre "Será que me atiro no rio? Será que vou conseguir correr? Será que morrerei atropelado por um trem?". Na verdade isso aconteceu outro dia, quando eu e ele fomos sozinhos até a ponte. Surgiu uma caminhote adaptada para andar nos trilhos para fazer a manutenção e nós tivemos que sair correndo. Foi emocionante! Hoje assistimos um filme interessante, The Final Cut ??!, sei lá, algo do tipo. Só que eu dormi no meio do caminho, então não vou comentar sobre a história. O fato é que, conforme a Elis me contou, no final, o personagem principal descobre que a lembrança que o perseguia durante toda a vida não era real. Fiquei matutando sobre isso e acabei relacionando com o comentário do Kalel ontem. A vida dá medo as vezes. Ou melhor, no meu caso pelo menos, o que dá medo é deixar algo para trás. Algo como esses momentos vendo as estrelas na ponte, algo como a cama quebrando ou mergulhar no rio com medo das sujeiras e dos possíveis peixes. Nada disso era para ser perdido. O assustador é tudo estar fugindo e sei lá em que lugar nossas lembranças vão parar. Será que elas ficam em nós mesmos?
O tempo é como o rio
Onde banhei o cabelo
Da minha amada
Água limpa
Que não volta
Como não volta aquela antiga madrugada
Mas o tempo é como um rioQue caminha para o mar
Passa, como passa o passarinho
Passa o vento e o desespero
Passa como passa a agonia
Passa a noite, passa o dia
Mesmo o dia derradeiro
Ah, todo o tempo há de passar
Como passa a mão e o rio
Que lavaram teu cabelo
1 comentários:
é jornalista .FATO.. te amo prima
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